Dom Sérgio: “Pe. Wilton testemunha para nós a ressurreição da vida”

A última missa de corpo presente de Padre Wilton na Catedral foi presidida por Dom Sérgio Braschi, bispo da Diocese de Ponta Grossa (PR) no início da noite de segunda-feira, dia 04. O Evangelho proclamado foi João 11,1-46, que narra a ressurreição de Lázaro.

“Diante do mistério da morte, quando nós encontramos diante do corpo de uma pessoa querida, que está ali objeto de nossa homenagem, nós, que somos de Cristo, devemos renovar a fé na ressurreição. Nós sabemos que a vida humana é essa, ela passa por um declínio e chega a morte, mas esse não é o ponto final, pois nós sabemos que a ressurreição é que o nos espera, fazermos parte da família de Deus pelo mistério pascal”, afirmou Dom Sérgio no início de sua homília.

Ao mencionar o Evangelho, o Bispo mencionou que, assim como Lázaro testemunhou a ressureição dos mortos, da mesma forma a páscoa de “Padre Wilton testemunha para nós que a ressurreição da vida é para nunca mais morrer”.

Missão que continua

Durante todo o dia muita gente chegou peregrinando até a Catedral e continua ao longo desta terça-feira, dia 05, na chácara de Uvaia. “São pessoas de todas as classes sociais, desde os mais pobres da periferia, até os de classe social mais elevada”, salienta Dom Sérgio.

O pastor da Diocese em que nasceu a fundação das Irmãs da Copiosa Redenção, lembrou que a fundação começou na casa do então bispo, Dom Geraldo Pelanda, destacando a unidade de Padre Wilton com a pessoa do bispo. “Ele vai interceder por nós como fundador, mas também como membro da nossa diocese”, acredita o bispo.

“Queremos agradecer a Deus tudo o que ele deixou como fundação, certamente continuará a interceder no céu para que a Copiosa Redenção continue a servir a Igreja com abundantes vocações. Queremos fazer a nossa ação de graças como Igreja Diocesana, pela vida e presença de Pe. Wilton Moraes Lopes”, finalizou o bispo.

Sepultamento

Desde às 21h o corpo está sendo velado na Chácara de Uvaia, onde está localizado o Seminário da Congregação, a última missa de corpo presente será às 16h, presidida também por Dom Sérgio e às 18h será o sepultamento, também na Chácara de Uvaia.

Nota de pesar: Copiosa Redenção comunica o falecimento de Padre Wilton Moraes Lopes, CSsR

“Meu Redentor está vivo.” (cf. Jó 19, 25-27)

O fundador da Copiosa Redenção, Padre Wilton Moraes Lopes, 67 anos, faleceu na madrugada desta segunda-feira, dia 04 de março, às 04h20. Pe Wilton estava internado no Hospital da Unimed, em Ponta Grossa (PR) desde o dia 20 de janeiro de 2024.

Padre Wilton Moraes Lopes, nasceu no dia 27 de abril de 1956 na cidade Batuvi (MT), distrito da cidade de Tesouro, no estado do Mato Grosso. Ingressou no Seminário da Congregação do Santíssimo Redentor (Redentoristas) aos 14 anos de idade, onde professou os primeiros votos 05 de fevereiro de 1977. Foi ordenado sacerdote no dia 09 de Julho de 1983. Foi Superior Provincial dos Redentoristas da extinta Província de Campo Grande por dois mandatos de 3 anos, de 1996 até 2001.

Em 1989, fundou a Congregação das irmãs da Copiosa Redenção e, mais tarde, em 1997, fundou o ramo masculino da Congregação, os irmãos da Copiosa Redenção.

O corpo de Padre Wilton será velado na Catedral Sant’Ana de Ponta Grossa a partir das 10h00. As missas de corpo presente na Catedral serão às 11h, 15h e 19h do dia 04. Às 20h00 o corpo será levado para a Chácara de Uvaia, em Ponta Grossa, onde permanecerá até o sepultamento no dia seguinte, às 17h00.

Assessoria de imprensa Copiosa Redenção
Lydiana Rossetti (MTE/SC 5316)

Falece Padre Wilton Lopes, fundador da Copiosa Redenção

Cheios de esperança na Vida Eterna, a Copiosa Redenção comunica o falecimento do seu fundador, Padre Wilton Moraes Lopes, aos 67 anos. Padre Wilton faleceu no dia 04 de março de 2024, às 4h20, no Hospital da Unimed em Ponta Grossa (PR).

Padre Wilton estava internado nos últimos meses no Hospital da UNIMED em Ponta Grossa, por causa de um agravamento de uma infecção urinária e de micros AVCs. Na terça (dia 27/02), ele foi para UTI onde permaneceu por dois dias. A equipe médica decidiu colocá-lo no quarto para que recebesse as visitas e tivesse a presença de seus entes queridos, onde recebeu cuidados paliativos até falecer nesta madrugada de sepse pulmonar.

O corpo de Padre Wilton será velado na Catedral Sant’Ana de Ponta Grossa a partir das 10h00. As missas de corpo presente na Catedral serão às 11h, 15h e 19h do dia 04. O bispo de Ponta Grossa, Dom Sérgio Brashi presidirá a missa de 19h00. Às 20h00 o corpo será levado para a Chácara de Uvaia, em Ponta Grossa, onde permanecerá até o sepultamento no dia seguinte, às 17h00.

Sacerdócio

Padre Wilton Moraes Lopes é natural de Batuvi (MT), distrito da cidade de Tesouro/MT. Nasceu no dia 27 de abril de 1956. Aos oito anos de idade saiu de casa para estudar no Colégio Salesiano, em em Guiratinga (MT). Foi no ambiente escolar católico onde Wilton sentiu os primeiros sinais de sua vocação ao sacerdócio.

Aos 14 anos ingressou no Seminário Redentorista pela devoção à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que conheceu no Santuário em Campo Grande (MT). Cursou o ensino médio nos primeiros anos que entrou no Seminário em Ponta Grossa (PR).

Realizou o noviciado no município de Tibagi (PR), tendo como formador o Pe. Guilherme Treyce, emitiu os votos temporários como irmão redentorista em 05 de fevereiro de 1977. Cursou filosofia na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR) e Teologia na Faculdade Claretiana, ambos em Curitiba. 

No dia 09 de julho de 1983 recebeu a ordenação presbiteral, em Rondonópolis (MT), das mãos de Dom Pastor Cuguejo, então bispo auxiliar, redentorista, de Assunção/ Paraguay, que havia sido seu primeiro formador. Logo após a ordenação assumiu a missão de formador, primeiro dos filósofos e depois dos teólogos. Anos mais tarde foi transferido para Ponta Grossa como pároco na Igreja São José. Nesta época já havia discernido o chamado de Deus para fundação da Copiosa Redenção, mas somente mais tarde iniciaria a Obra.

Na sequência foi eleito ecônomo da Congregação Redentorista e vigário provincial no governo de Pe. Lourenço e passou a residir na casa provincial da Congregação, em Curitiba. Na eleição seguinte, foi eleito provincial. No término de seu mandato pediu autorização para dedicar-se a obra da Copiosa Redenção.

A Copiosa Redenção

A obra da Copiosa Redenção teve seu inicio com a fundação do Instituto Secular, em 1987. No ano seguinte foi inicada as atividades de recuperação de dependentes químicos. Em 1989, houve a fundação das irmãs da Copiosa Redenção e, mais tarde, em 1997 a fundação dos irmãos da Copiosa Redenção.

Todavia, desde seminarista Pe. Wilton já pregava retiros e muitas pessoas, inclusive sacerdotes, religiosos e leigos, experimentavam em suas vidas os dons de sua espiritualidade redentorista e carismática. A vida de Pe. Wilton foi um grande dom com tantas outras vidas apoiadas, acolhidas, restauradas, curadas, transformadas e atraídas para Deus. Foi filho, irmão, amigo, religioso, fundador e um padre, no verdadeiro sentido da palavra (pai). Foi pai espiritual de muitos filhos: religiosos(as), leigos(as) e homens e mulheres adictos que passaram pelas casas de recuperação da Copiosa Redenção.

Atualizado 04 de março de 2024, às 08h34

O CAMINHO PARA O CÉU (Pe. Wilton)

“Eis-me aqui Senhor, eis que por vossa graça sou vossa imagem e semelhança”.

Antigamente os casamentos se davam apenas entre os pais dos noivos. Assim o noivo e a noiva se
conheciam apenas alguns dias antes da cerimônia. Apesar disso ambos sonhavam
com “o (a) prometido (a)”. O noivo cuidava de construir uma casa. A noiva fazia seu enxoval. Mas só se conheciam poucos dias antes do casamento. Às vezes a união dava certo e ambos eram felizes. Às vezes não.

Como os casamentos de antigamente, corremos o risco de agir assim com Deus. Isso quer dizer, levamos
uma vida de retidão moral, até de oração. Participamos de pastorais e outros movimentos da Igreja, mas, corremos o risco de na verdade não conhecer na essência esse Deus. Dessa forma, assim como
os noivos, poderemos chegar na eternidade com uma “fantasia” de Deus e não o Deus Verdadeiro.

É preciso coragem para querer seguir os Seus caminhos, mas são os caminhos da Luz, da Verdade e da Vida. Ele nos convida a mergulhar na Sua Essência, a termos “intimidade” com Ele, para quando chegar o grande dia de nosso encontro definitivo, podermos olhá-lo nos olhos e dizer com alegria:
“Eis-me aqui Senhor, eis que por vossa graça sou vossa imagem e semelhança”.

O ENCONTRO DE MARIA

“Maria atravessou o além. Ela viu e contemplou o céu em sua totalidade.”

Jesus encontra sua Mãe após a sua Ressurreição. Este encontro foi de confirmação, confirmação de não ter acreditado em vão, confirmação de que sua intimidade com Deus era total. Também foi um encontro de vitória. Vitória alcançada com muita dor. Vitória alcançada com sangue e morte.
Ver seu Filho ali era contemplar o céu. Contemplar a totalidade de um Deus amor, um
Deus que não nos decepciona diante dos inimigos.

Sorrir para o seu Filho era sorrir para o Criador. Contemplar o sorriso e o brilho de Jesus era sorrir para o Deus Divino, pois neste momento não havia mais 100% homem, havia 200% Deus. O 100% homem morreu na cruz. Foi um encontro não de mãe e filho, mais de mãe e céu. Portanto a alegria que a O Encontro de Maria Mãe sentiu não dá para descrever. É um mistério que só teremos a graça de descobrir quando estivermos face a face com o Criador.

Maria atravessou o além. Ela viu e contemplou o céu em sua totalidade. Isto só foi possível porque era uma mulher Santa e não existia Nela a mancha do pecado. Deus só permitiu que Ela contemplasse a eternidade depois que sua missão havia sido cumprida. Antes mesmo sem o pecado, Ela teve que passar pelas mesmas dores de Jesus.

Os discípulos e as mulheres também viram Jesus, mas devido suas condições de pecado não puderam estar em frente à eternidade, só tiveram esta graça quando seus corpos foram totalmente purificados e suas almas se elevaram para o céu. Neste mês, olhemos com gratidão para Maria e procuremos seguir seu exemplo para que um dia também possamos ver Jesus face a face na eternidade.

ESPIRITUALIDADE: PROJETO INACABADO

Até o dia da nossa morte chegar, seremos um projeto inacabado, pois Deus está sempre nos buscando.

Queremos neste pensamento compreender que a nossa conversão, o nosso caminho cristão e
a nossa busca de Deus, na fé, só acontecem porque é Deus quem toma a iniciativa, É Ele que nos busca. Nós não temos condições de fazer essa tarefa pelas forças humanas. Precisamos pedir ao Senhor que Ele
venha em nosso socorro. O coração de Deus é marcado pelo impulso e iniciativa em nos buscar, já que por nossa fragilidade, nada podemos fazer.

A espiritualidade cristã, portanto, é uma iniciativa e um dom de Deus, porque Ele nos ama e nos busca,
mas também é nosso conhecimento e nossa resposta. O amor de Deus quer nos humanizar e nos santificar. É importante perceber a palavra “humanizar”, já que a verdadeira espiritualidade nos humaniza. O próprio Cristo ao assumir, pelo mistério da Encarnação, a dignidade humana, a elevou a um ponto
extremamente importante, de valor e significado que até então nós não podíamos perceber: Ele assumiu a nossa humanidade!

O caminho da espiritualidade é, portanto, um processo, um fato real e concreto, palpável, mas ainda inacabado. Mas porque será que ainda é inacabado? Porque sempre haverá um crescer. Em nossa vida
sempre há a possibilidade de, a cada dia, crescer mais. Sempre devemos buscar mais, devemos alargar nosso conhecimento porque jamais estaremos prontos totalmente, já que somos um projeto em construção. Esse projeto só completa sua realidade no momento da nossa morte. Até este dia chegar o projeto ainda está inacabado, porque Deus sempre estará nos buscando, nos educando.

Quando percebemos a realidade da espiritualidade, descobrimos que ela é um projeto real de Deus para
nossas vidas, porque Ele tomou a iniciativa. Essa iniciativa é um dom Dele, que é construída todos os dias.
A nossa resposta é ainda incompleta, o nosso reconhecimento ainda não está finalizado, porque Deus tem ainda que nos buscar muito pelas estradas da vida. A busca da espiritualidade cristã será
a identificação para este projeto de Deus, o qual é o Seu reino e Sua justiça e a nossa santificação.

PARA PENSAR

Senhor, será que tenho consciência de que muitas coisas já aconteceram, sejam elas boas ou ruins
porque sou este projeto inacabado? Tenho confiança de me colocar em suas mãos para que o Senhor possa fazer na minha vida uma verdadeira obra de arte? Oh, artista divino, plasma-me em suas mãos.
Na vida tudo conta, as pequeninas coisas e as grandes, tudo é obra de Deus.

PARA REZAR

“Senhor, sabemos que somos uma obra inacabada, mas em constante crescimento.
Somos como um quadro belíssimo que o Senhor está pintando, mas que ainda não está completo. Ainda há muita tinta e cores para colocar neste quadro que somos. Cremos Senhor, que realmente é concreta a Sua iniciativa. Dai-nos Senhor, a graça de jamais desanimar e perseverar sempre”.

OS CAMINHOS QUE NOS LEVAM AO DESERTO

“Aquele que não vislumbrar o deserto em sua vida não poderá conhecer a Deus.”

Hoje em dia, não se sabe o que fazer com o silêncio. A sociedade de consumo criou uma variada indústria para fomentar a distração e diversão e, dessa maneira, poupar o homem do “horror do vazio” e da solidão.

É no silêncio de nosso ser que encontramos a nós e a Deus. Vivemos no novo deserto. O caminho está
cheio de dificuldades. As tentações mudaram de nome. Antigamente, as tentações eram panelas
cheias, peixe frito, carne, cebolas e pepinos do Egito (Nm 11,5).

As tentações hoje são horizontalismo, espontaneidade, hedonismo, frivolidade, secularismo, subjetivismo. Quantos peregrinos chegarão à Terra Prometida? O silêncio do deserto nos incomoda, nos aflige. Lá no meio do deserto não vejo ninguém, não ouço ninguém, não toco ninguém. Estou só! Estou só? Não! Lá comigo está Deus – Javé Shamá.

Mas é difícil caminhar no deserto. A areia, o sol, a sede e a fome. Sede e fome de quê? Temos que sentir sede e fome de Deus. Ele é “…verdadeira comida e … verdadeira bebida…”(Jo 6,55). Aquele que não vislumbrar o deserto em sua vida não poderá conhecer a Deus. É no silêncio de nosso ser que encontramos a nós e a Deus.


CONTEMPLANDO O SACRIFÍCIO DE ABRAÃO

Na nossa vida consagrada e religiosa adquirimos bens, apego a pessoas,
coisas e lugares, que nos levam a exercer uma espécie de paternidade sobre estas realidades, remetendo a Abraão e seu único filho Isaac – o filho da benção – porque o outro filho foi o filho de Agar, a escrava. Abraão amava Isaac como único tesouro da sua vida, o único bem da sua existência, a única confirmação da promessa de Deus e eis o momento em que Deus pede a Abraão o sacrifício de Isaac, o seu único filho, o filho da promessa. Sacrificá-lo seria reconhecer que a promessa de Deus se tornaria impossível de ser realizada. Seria do lado humano, perder o seu único tesouro, sua posteridade, sua descendência. Perder tais coisas para o israelita era como não viver, não ter o sentido realizado para vida.

Deus pede e Abraão responde generosamente: leva o seu filho para sacrificá-lo. Abraão perde o seu filho, mas confia nos desígnios de Deus e da providência, e sabe que Deus de alguma forma, manifestará e continuará manifestando a aliança. Ao longo de nossa vida, devemos perceber qual é o Isaac – o que
é que está ocupando o lugar de Deus em nosso coração? Vez por outra, o Senhor passará em nossos
corações copiosos e pedirá o sacrifício daquele Isaac que temos guardados dentro de nós.

Deus pede o sacrifício de tudo aquilo que tira o lugar Dele em nosso coração. Deus pede que seja oferecido em holocausto todos os nosso ídolos: pessoas, coisas, lugares, cidades; Deus pede a pureza de nosso coração: coração casto nada possui, só Deus é o
Senhor do nosso coração. Assim, devemos oferecer com generosidade, aquilo que nós levamos como algo precioso e que ocupa o lugar de Deus.

PARA PENSAR

Sou capaz de fazer como Abraão, dar em sacrifício, aquilo que tenho colocado como prioridade em minha vida no lugar de Deus?

PARA REZAR

Senhor, dai-me a força de renunciar a tudo aquilo que tem ocupado o teu lugar em meu coração.

PARA MEMORIZAR

Oferecerei em holocausto tudo aquilo que deve ser ofertado, para que Deus seja o absoluto da minha vida. (Pe. Wilton)

A Misericórdia: Um jeito de ser da Copiosa Redenção

Ser Copiosa Redenção, no espírito de Santo Afonso, é ser em nosso próprio agir a memória da misericórdia do Redentor, direcionada a todos os que estão privados da redenção, levando-os a experimentar a misericórdia. Nos nossos dias, tem-se acentuado muito o valor da misericórdia como
espiritualidade, ou seja, uma forma de ser. Misericórdia é também um Carisma, um Dom do Evangelho que nos faz entrar no coração da Trindade e descobrir a revelação máxima do Amor Divino.

Encontramos na Bíblia diversas vezes a palavra misericórdia, em muitos lugares e situações distintas. Na história da Salvação, quando Deus faz Aliança com o Povo de Israel, o fio condutor é um amor bondoso e imenso de Deus que vai se revelando como um Pai que ama apaixonadamente. Portanto, o sofrimento do seu Povo comove o coração de Javé: “Eu conheço suas angústias. Por isso desci a fim de libertá-lo” (cf. Ex 3, 7-8). Esta é a face de Deus que se revela na Copiosa Redenção. Deus que escuta a angústia como um clamor de milhares de jovens na dependência das drogas e através de nós. Devemos ser e estar revestidos desta mesma misericórdia, que nos impele a levar libertação para a juventude dependente de drogas. Se esta sensibilidade for fraca em nós, dificilmente nosso coração se comoverá pela dor dos nossos irmãos sofredores.

Esse dom de misericórdia, que toca a missão da Copiosa Redenção na vida apostólica, é dado a todos os cristãos, como também toda a Igreja é chamada a viver essa bem aventurança: “Bem aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia” (cf. Mt 5,7). Por isso, devemos nos empenhar muito neste ano que se aproxima, para aprofundar o nosso viver numa profunda união com a Igreja, através
da orientação do Papa Francisco que nos convida a colocar em prática a Encíclica “Misericordiae Vultus”. Assim caminharemos com a Igreja procurando mergulhar a nossa vida nesta dimensão da misericórdia.

Também devemos pedir ao Senhor, através de uma oração constante rezando com o profeta Miquéias:
manifesta em nós Senhor a sua misericórdia” (Miquéias 7,18). E ainda, o nosso clamor orante deve orar: Senhor dai-nos um coração misericordioso semelhante ao Vosso coração. Este é o nosso caminho, assim é nosso rosto, misericordioso, de Copiosa Redenção; ir levando pelas estradas do mundo, a homens e mulheres, um acolhimento misericordioso que resgata vidas e as transforma pela força de sinais de misericórdia.

Que possamos levar, com empenho, o compromisso de corresponder intensamente a este chamado da Igreja. Considero Também, que seria importante aprofundar alguns textos bíblicos que nos falam de misericórdia: Salmo 50,3 – “Tende piedade de mim, Senhor, segundo a vossa bondade. E conforme a imensidade de vossa misericórdia, apagai a minha iniquidade”. Clamar ao Senhor pela Sua misericórdia:
em nossa vida, na vida das pessoas de nossas famílias, de nossa comunidade, cidade, país, pelo mundo. Clamar ao Senhor pelo Seu perdão, pela Sua compaixão neste mundo tão sedento de misericórdia.

Evangelho de Lucas 10, 30-37 – Jesus nos ensina a sermos misericordiosos: “Jesus então contou: Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de ladrões, que o despojaram; e depois de o
terem maltratado com muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o meio morto. Por acaso desceu pelo mesmo caminho um sacerdote, viu-o e passou adiante. Igualmente um levita, chegando àquele lugar, viu-o e passou também adiante. Mas um samaritano que viajava, chegando àquele lugar, viu-o e moveu-se de compaixão. Aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; colocou-o sobre a sua própria montaria e levou-o a uma hospedaria e tratou dele. No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro, dizendo-lhe: Trata dele e, quanto gastares a mais, na volta lhe pagarei. Qual destes três parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões? Respondeu o doutor: Aquele que
usou de misericórdia para com ele. Então Jesus lhe disse: Vai, e faze tu o mesmo
”.

Sendo assim, neste ano que se inicia, dedicado à misericórdia, sigamos a orientação e o exemplo do Papa
Francisco, que, possamos refletir a Palavra a cada dia, rezar para que Deus derrame a sua misericórdia sobre todos nós, sobre nosso país, sobre o mundo e também para sermos revestidos da misericórdia de Deus e levarmos aos nossos irmãos mais necessitados, um pouco do Amor imenso que Deus tem por nós.

A Espiritualidade

Deus, através da revelação nos mostra que a espiritualidade é um progressivo conhecimento Dele, da revelação do seu rosto, o rosto do único e verdadeiro Deus que vai mostrando este caminho da espiritualidade. Vamos encontrar todas essas faces de Deus, de um mesmo Deus que se revela na experiência pessoal.

Podemos olhar a experiência de Abraão. Deus se revela a Abraão como Senhor da história que intervém na vida dos homens para fazer alianças, firmar compromissos e torná-los um povo. Também na minha vida devo encontrar esse Deus, a espiritualidade nos leva a perceber momentos concretos de nossa
vida, sua presença, seu comprometimento conosco como se comprometeu com o povo da Aliança, precisamos crer de maneira absoluta, depositar em Deus a nossa esperança.

A espiritualidade verdadeira nos leva a compreender que não devemos ter uma fé pela metade, ela deve ser total, deve permanecer fiel, eu devo encontrar em minha vida este Deus, eu devo depositar Nele toda a minha esperança, confiança e crer em termos absolutos, também, na minha vida espiritual devo perguntar sempre em que ou em quem tenho depositado toda a minha confiança.

Portanto, ao olhar Abraão nós descobrimos este caminho de espiritualidade, esta face de Deus revelada a Abraão também se revela a nós, devemos, portanto, rezar: “Senhor, mostra-me a face que revelastes a Abraão, mostra-me Seu rosto para que eu possa também confiar, crer em Ti, totalmente crer, em forma absoluta, purifica-me Senhor se não tenho depositado toda a minha confiança em Ti”.

Precisamos refletir que através da oração há uma progressiva revelação do rosto do único e verdadeiro Deus, assim, pois o caminho da espiritualidade significa encontrar todas essas faces de Deus, percorrer o caminho da própria revelação na experiência pessoal.