Existe depressão na vida religiosa?

A depressão na vida religiosa foi muitas vezes compreendida como “falta de fé”, mas isso não é verdade. Recentemente o Papa Francisco disse: “A tristeza, a apatia, o cansaço espiritual acabam dominando a vida das pessoas que estão sobrecarregadas com o ritmo de vida atual”. O Santo Padre demonstrou empatia e realismo ao afirmar que pessoas estão sobrecarregadas em meios aos desafios contemporâneos.

Por isso, preparamos este post para explicar melhor o que significa depressão e como ela pode afetar a vida de todas as pessoas, inclusive os religiosos(as). 

Depressão na vida religiosa? Mas quem é o religioso?

Deus chama toda pessoa humana à vida e à filiação. Esses são os primeiros dons recebidos da generosidade divina. E à medida que a pessoa cresce, ela descobre sua vocação específica, ou seja, a modalidade com a qual testemunhará o amor de Deus para a humanidade.

Embora as vocações específicas sejam bem conhecidas, como: sacerdócio, matrimônio, vida religiosa e o laicato, cada uma delas tem uma beleza e importância imensa para a Igreja e o povo de Deus. 

E, entre elas, existe o chamado à vida religiosa, que se concretiza com a profissão dos conselhos evangélicos e a vida em comunidade. Porém, o religioso(a) escolhido por Deus no meio do Seu povo, é uma pessoa normal, mas com um chamado especial.

E quem é a pessoa normal? A Doutrina Social da Igreja diz que a pessoa humana é criatura de Deus, criada à Sua imagem e semelhança; capaz de Deus e de se relacionar com o outro. Assim, toda pessoa é criatura e logo não é criador; limitado e não ilimitado. 

Parece óbvio, mas essa lucidez nos ajuda a entender o religioso, uma vez que ele continua criatura, limitada e amada pelo Criador, mesmo diante de uma vocação tão sublime. Ou seja, ele sofre, se diverte, cansa, chora, adoece, erra, cai, levanta e serve a todos. 

A depressão na vida religiosa e no mundo

Então, o que é depressão? A depressão é um transtorno psicológico que como características tristeza persistente e falta de interesse em realizar atividades que antes eram consideradas prazerosas.

Apesar da tristeza ser uma emoção normal, na depressão ela é tão forte e dura por tanto tempo, que afeta toda a vida da pessoa, impedindo até a realização de tarefas básicas fundamentais, como dormir ou comer.

Segundo a OMS, a depressão é um problema comum em todo o mundo: estima-se que mais de 300 milhões de pessoas sofram com ele. E qualquer indivíduo pode sofrer desse mal. Mas seja no mundo ou a depressão na vida religiosa, isso não é culpa de ninguém.

Uma vez que sua causa é formada por uma combinação de fatores genéticos, biológicos, ambientais e psicológicos. Então, ninguém pode determinar se sofrerá ou não de depressão, porque sua causa terá inúmeros motivos.

Leia também Qual a diferença entre cansaço e depressão?

Os santos tiveram depressão

É verdade que a vida religiosa é feita de oferta de si o tempo todo. E quem assiste de fora acha até que no convento não existe lazer, nem se tira férias. Esses pensamentos não ajudam na hora em que o religioso se sente atribulado ou até com sintomas de depressão.

Mas a depressão na vida religiosa não está ligada à fé, nem é possível determinar sua causa apenas olhando para a pessoa. A depressão na vida religiosa, assim como em qualquer ambiente da sociedade, sinaliza que algo não vai bem e precisa de investigação. 

Ora, de forma bem superficial, podemos comparar a depressão a uma febre. Quando estamos com uma infecção, a febre acusa logo, e se algo não vai bem na vida, a depressão se desenvolve e sinaliza que precisamos de ajuda.

Mas a depressão na vida religiosa não é sinal de fraqueza, mas de humanidade. Assim como Santa Teresinha sofreu desse mal e foi curada pelo sorriso de Nossa Senhora, o religioso tem a seu favor a graça divina e o acompanhamento dos irmãos. 

E agora, o que fazer?

Agora, se alguém nos perguntar se existe depressão na vida religiosa, após essas informações, podemos responder com outra pergunta: existem pessoas normais na vida religiosa?

Porque não existe vacina contra a humanidade, ao contrário. O Evangelho nos ensina que o homem é limitado e candidato à salvação, e quanto mais reconhecemos nossa pequenez, mais nos aproximamos de Deus, de nós mesmos e do outro.

Portanto, vamos acolher nossa fragilidade com humildade, e olhar para o outro que sofre com a depressão na vida religiosa, na família, no trabalho ou na clínica com olhar humano, com o olhar de Cristo.

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5 práticas para uma boa saúde psicológica na vida religiosa

Um consagrado é alguém “separado” para o Sagrado, para Deus. Quando alguém faz a oferta de si a Deus está afirmando com sua vida que é todo Dele.  

Esse caminho prevê que seu corpo, sua alma e sua mente direcionarão todos os seus esforços em vista de uma missão, de um estilo de vida. 

No entanto, um risco que se corre é o descuido consigo mesmo, em especial com a saúde psicológica. São os desafios da missão, as relações fraternas, as exigências consigo mesmo para corresponder à evangelização, a busca pela santidade, a renúncia dos afetos e desejos, tudo isso pode ocasionar uma sobrecarga emocional e psíquica. 

Por isso, confira algumas dicas para ajudar você a ter mais saúde e qualidade de vida

1 – Encontre meios de descontração 

A vida religiosa costuma propor uma dinâmica ordinária de oração, apostolado e vida comunitária. Celebração da Missa, Rosário, leitura espiritual, Lectio Divina, atendimentos de oração e confissão, assistência social, educação, formação, busca de donativos, relacionamento com benfeitores.

Porém, em meio a tudo isso, o religioso precisa aprender a descontrair-se, encontrando o que lhe causa prazer. Pode ser a leitura de bons livros, um passeio, a contemplação da natureza, um bom filme, um jogo de tabuleiro, enfim, são muitas as possibilidades. 

O importante é que a mente tenha “canos de escape” para extravasar as tensões, canalizar os medos e fortalecer a alegria e o prazer.

2- Discipline-se para o repouso 

Parece ser contraditório ou paradoxal utilizar o verbo “disciplinar” para o substantivo “repouso”. Porém, para muitos religiosos é necessário criar uma estrutura de disciplina também para o descanso. 

Há uma confusão entre descontrair e descansar o corpo. A descontração favorece o imaginário, a memória, os afetos, as emoções. O repouso, o descanso físico, proporciona bem-estar e qualidade de vida, interferindo fortemente na boa saúde psicológica. 

Muitos, ao fim do dia, passam horas nas redes sociais “descontraindo”, ao invés de dormir um pouco mais e descansar a mente e o corpo. Além dos malefícios do uso das telas para boa qualidade de sono, a falta de disciplina em dormir em um horário para acordar em outro que proporcione uma janela de sono satisfatória compromete a saúde. 

Portanto, é necessário que se estabeleça uma rotina de sono que o religioso durma em média de 7 a 8 horas, como orienta a Fundação Nacional do Sono. 

Leia também A ansiedade na vida religiosa

3 – Não se descuide da alimentação 

Uma alimentação balanceada, rica em nutrientes, com uma vasta opção de frutas, legumes e vegetais, possibilita boa qualidade de saúde física e psicológica. Já os industrializados, ou uma rotina de alimentos ricos em carboidratos e açúcares comprometem o bom desempenho metabólico. 

Por isso, é indispensável que as comunidades religiosas ofereçam uma alimentação planejada e ajustada às demandas de cada religioso. 

4 – Fortaleça a vida de oração 

Sim, é comprovado pela ciência e pelos mais de 2 mil anos de história da vida consagrada na Igreja que a vida de oração é indispensável para a saúde psicológica. 

É diante de Deus que o ser humano se coloca com sua verdade e seus medos. Por isso, o religioso não pode se descuidar dos seus compromissos espirituais, de uma vida espiritual autêntica e profunda, aos moldes do Carisma ao qual foi chamado. 

É vivendo na intimidade de cada morada, como ensina a Mestra espiritual Santa Teresa de Jesus, que os religiosos encontram o jugo suave e o peso leve do qual Jesus fala nos Evangelhos. 

5 – Peça ajuda profissional, se necessário 

Algo que precisa sair do imaginário dos religiosos é o preconceito com o acompanhamento profissional em vista do psicológico. Ainda há muitos superiores ou mesmo irmãos e membros de Ordens que não lidam bem com a possibilidade de exposição das suas dores e angústias com um profissional. 

No entanto, para a boa saúde psicológica é importante a escolha de bons terapeutas e psiquiatras que orientem, mediquem, quando necessário, e compreendam a vida e a escolha dos religiosos. Por isso, a Congregação para vida consagrada prevê que os superiores escolham bons profissionais, alinhados com a fé e com o espírito da vida consagrada. 

Conclusão 

Se o religioso está sempre atento aos sinais do seu corpo e da sua mente, cria uma rotina que proporciona tempos de oração, descanso e trabalho, provavelmente encontrará realização e sentido de vida. 

Foi pensando em você, que tem dedicado sua vida em servir e cuidar dos outros, que preparamos estas 5 práticas para serem inseridas no seu projeto de vida pessoal, urgentemente. Leia, reflita, aprofunde-se e faça o firme propósito de vivenciá-las.

Qual a importância da saúde emocional na vida religiosa?

A vida religiosa não é uma profissão ou uma carreira. Ser religioso é abraçar o seguimento de Jesus Cristo, por meio de um Carisma Vocacional que abarca um estilo de vida próprio. Portanto, quem se torna religioso volta sua vida inteira para uma consagração de vida. Ou seja, sua história, com feridas e desafios, seu presente com suas lutas e dificuldades, e seu futuro com suas incertezas. Tudo é colocado nas mãos de Deus.

Desse modo, o ser inteiro com sua psique, seu corpo, sua inteligência e vontade, sua afetividade e memória, suas emoções, tudo ingressa na família religiosa. Por isso,  não é incomum que religiosos e sacerdotes vivenciem momentos de depressão e ansiedade, estafa ou síndrome de Burnout. 

Inclusive, santos e santas na história da Igreja tiveram relatado em suas biografias momentos difíceis, com suas emoções profundamente abaladas. Desse modo, fica claro como é importante ter saúde emocional na vida religiosa.  

Entenda melhor aqui conosco como as emoções interferem na vida religiosa, assim como encontre dicas para manter sua saúde emocional. Confira! 

As emoções na vida religiosa 

Assim como é dito sobre os sacerdotes, o religioso é um homem ou uma mulher, escolhidos por Deus, no meio dos demais homens e mulheres. Essa escolha não faz dele uma espécie de santo súbito ou de um super-herói. Suas fraquezas, lutas e desafios humanos continuam latentes, mas devem ser canalizados para a missão e a espiritualidade. 

Amedeo Cencini, sacerdote canossiano e um dos principais nomes quando se refere à psicologia e vida consagrada, costuma usar a expressão “integração”, ou seja, a união entre o eu “ideal” – o santo, o religioso perfeito – e o eu “real – o homem que continua sendo instrumento desse chamado extraordinário. 

Na vida ordinária de uma família, o desequilíbrio emocional causa diversos desafios como desentendimentos, impaciência, incapacidade de relacionamento ou mesmo de trabalho, tristeza e depressão. De igual modo, a vida comunitária das ordens e congregações são fortemente atingidas quando há um irmão, sacerdote ou irmã ficam emocionalmente fragilizados.

Consequências de não cuidar da saúde emocional

Para deixar isso ainda mais claro, vamos apresentar algumas consequências sentidas na pele por aqueles que não cuidam da sua saúde emocional na vida comunitária e religiosa. 

Uma situação comum no meio comunitário é quando alguém começa a provocar ou a se colocar em situações desagradáveis, como discussões e confusões sem objetivo claro. Quando muitos dizem: “Parece que só quer implicar!”. Na verdade, é necessário que se ligue um pisca-alerta. 

Isso fica ainda mais evidente quando o religioso passa a ter problemas de relacionamento com pessoas ao redor, incluindo irmãos da comunidade, amigos, colegas de apostolado ou até do povo de Deus. O que pode gerar dificuldades interpessoais sem tamanho. 

Além disso, é possível que o religioso passe por momentos de crise emocional, com choros frequentes, sintomas como tremedeiras, sudorese, taquicardia, medo sem causa aparente, sensação de desmaio, tonturas, entre outros. Irritabilidade, falta de paciência, síndrome de perseguição e vitimismo são outras características comuns. 

Como ter saúde emocional no cotidiano comunitário

Portanto, em cada situação da vida cotidiana é necessário, inicialmente, evitar o exagero nas emoções negativas e investir no que é positivo. É comum, sobretudo para pessoas com temperamento mais frio, tenderem a se focar sempre na parte mais difícil das coisas. 

São João Paulo II nos ensina: “Tu te tornas aquilo que contemplas”. Sendo assim, ao invés de nos focarmos no que é negativo é importante contemplarmos o que é bom, positivo, belo e sagrado para manter a saúde emocional.  

Além disso, é importante que se cuide da saúde física, com uma alimentação balanceada e exercícios físicos. A vida sedentária e uma alimentação desregulada influencia diretamente nos hormônios do prazer e bem-estar, gerando desequilíbrios nas emoções. Outra dica importante é: atenção com o uso de redes sociais. 

Há muitos religiosos enfrentando sérios quadros emocionais por questões relacionadas ao vício em redes sociais, ou mesmo insatisfação com a própria vida por contemplar a vida virtual de terceiros e seus exageros, ao invés da vida real, escolhida.  

Desse modo, religiosos e sacerdotes não podem ficar desatentos às suas emoções. Além disso, a qualquer sinal de desequilíbrio é preciso parar, refletir e decidir-se mais uma vez pela saúde física e mental, equilibrando o emocional e recomeçando. Se necessário, busque um acompanhamento e ajuda de profissionais dedicados e com experiência com religiosos.

5 dicas para lidar com a ansiedade na vida consagrada

Momentos de ansiedade, seja por motivos desafiantes ou mesmo de celebração, fazem parte do cotidiano. Na vida religiosa e sacerdotal não é diferente. Além disso, muitas são as realidades difíceis que a missão expõe, seja pelas dores do mundo ou pelas dificuldades enfrentadas. 

Por conta da pandemia, saímos de uma vida de intensa atividade apostólica e pastoral. Foi necessário fechar as portas das igrejas, parar com os eventos e manter as comunidades reclusas, gerando uma rotina nunca vivida antes por tanto tempo. Logo, a ansiedade passou a ser um vilão ainda mais presente na vida religiosa. 

Além disso, a falta de presença na realidade e a busca exagerada do que ainda não faz parte do presente tendem a adoecer homens e mulheres. Logo depois do período mais crítico da pandemia, falou-se muito de uma epidemia de ansiedade e depressão. 

Por isso, tem se tornado cada vez mais comum religiosos e sacerdotes sofrerem com transtornos de ansiedade, depressão e outras patologias. Confira 5 dicas para administrar da melhor forma possível as ansiedades da vida.

Concentre-se no presente 

A vida do ansioso tende a perder sua qualidade, sobretudo quando surgem sintomas fisiológicos como taquicardia, sudorese, falta de ar, tonturas e outros. Uma das formas de lutar contra isso é focar-se na realidade, no presente.

Santa Teresinha do Menino Jesus, em sua pequena via, orienta: “Só temos o hoje para amar!”. Essa prática traz uma imersão na realidade que possibilita a fuga de distrações ou ansiedades exageradas. 

Alguns terapeutas orientam que, no momento de crise, deve-se focar em um objeto e tentar descrevê-lo em detalhes, como forma de desfocar-se da ansiedade. 

Portanto, a dica inicial é: procure concentrar-se no presente, na realidade, no que está ao seu redor.

Busque profissionais adequados 

Como dito acima, todos nós convivemos com momentos de ansiedade e tensão. O importante aqui é ficarmos atentos aos nossos limites e, em especial, aos sintomas ditos acima. 

Ao surgirem, ainda que de modo sutil, é importante buscar por profissionais capacitados, como psicólogos e/ou psiquiatras, que acompanhem de perto o caso. 

Contudo, um alerta importante da Congregação para Vida Consagrada é que se busque a orientação de profissionais que sejam alinhados aos valores e princípios da fé e da vida religiosa.

Pratique exercício físico

Já é uma unanimidade na ciência os benefícios da prática de exercício físico para a saúde mental. E quando se refere à ansiedade isso também se aplica, afinal as atividades físicas aumentam a liberação de neurotransmissores como a endorfina, a serotonina e a noradrenalina. 

Quando liberadas no organismo, aumentam a sensação de bem-estar, por agirem diretamente no sistema nervoso central, aliviando a depressão e neutralizando os níveis de ansiedade. 

Qualidade de sono e alimentação

Outras duas realidades importantes sobre a vida saudável que influenciam diretamente nos transtornos de ansiedade são o sono e a alimentação. 

Uma alimentação rica em frutas, verduras e proteínas favorecem a produção dos neurotransmissores e possibilitam uma desinflamação metabólica, necessária para o bem-estar. Ao contrário, alimentos ricos em carboidratos e gorduras saturadas aumentam os níveis de inflamação no organismo. 

Por sua vez, o sono é outro aliado da saúde mental, pois sem o descanso necessário, o corpo não consegue encontrar um nível adequado de esforço e repouso. Mantendo, assim, a pessoa envolvida em níveis de tensão e estresse contínuos. 

Vida espiritual sempre em 1º lugar  

Para qualquer cristão, independentemente de sua condição, a espiritualidade lhe confere um bem-estar necessário. Isso é tão verdade, que cientistas já investigam os efeitos da espiritualidade como benefício para a saúde mental. 

Logo, os religiosos não estão fora dessa dimensão, muito pelo contrário, ainda que sua vida esteja marcada por práticas religiosas, a vida de oração não pode ser negligenciada. 

Obviamente, em momentos de ansiedade e depressão, nem sempre será fácil a oração da Liturgia das Horas, do Rosário ou mesmo horas de adoração ao Santíssimo Sacramento. Porém, a oração como olhar lançado ao céu não pode ficar esquecido. Será Daquele que chamou cada uma das vocações que virá o socorro necessário.

Desse modo, seguindo cada uma dessas dicas é possível combater os malefícios da ansiedade.  O que precisa ser feito o quanto antes!

Como fortalecer saúde física, mental, emocional e espiritual

Saúde é um assunto sério e deve ter nossa atenção constante. Afinal, só assim podemos alcançar uma vida equilibrada e feliz. No entanto, é uma tarefa que pede paciência e cuidado. Por isso, para te ajudar nessa missão de como fortalecer sua saúde, trouxemos algumas dicas práticas para você. 

É comum que, com as obrigações, cobranças e o cansaço do dia a dia da vida sacerdotal ou religiosa, o cuidado com a saúde física e mental sejam esquecidos. Como consequência, surgem crises de ansiedade, pânico e estresse, citando apenas questões mentais e emocionais, mas o corpo, a saúde emocional e a espiritual também sofrem com o descuido. 

Afinal de contas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ter uma saúde equilibrada é possuir “um estado completo de bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças”. 

Portanto, ser saudável envolve uma série de questões que se complementam, entre elas: saúde física, mental, emocional e espiritual. Se tudo estiver em ordem, há qualidade de vida. 

Mas para que tudo esteja em harmonia o primeiro passo é conhecer o porquê e em seguida entender como fortalecer sua saúde. 

Importância de fortalecer sua saúde 

É costume dizer que a primeira coisa que deve ser feita, ao acordar pela manhã, é arrumar a cama. A consequência disso seria o restante do dia bom, organizado e produtivo. Afinal, se você tem uma atitude de atenção em relação a algo tão simples, como arrumar a cama, tudo pode entrar em equilíbrio. 

A ideia da saúde ser uma combinação entre físico, mental e social significa que, se você cuidar de uma, as outras dimensões entram em harmonia também. 

Desse modo, enquanto buscamos proteger o que seria nossa prioridade: o corpo e a saúde física, percebemos que manter a mente tranquila traz qualidade de vida e mantém a imunidade alta. 

Por outro lado, o renomado estudioso, Dr. Harold Koenig, explicou que a vivência religiosa e a espiritualidade reduzem o estresse psicológico, diminuindo a inflamação e a taxa de encurtamento dos telômeros nas células. Ou seja, quanto mais os telômeros nas células se encurtam, vai ocorrendo a degeneração dos órgãos. 

A espiritualidade reduz o estresse que causa a dor, portanto, as pessoas com uma vida religiosa tendem a ser mais esperançosas e otimistas. 

Esses dois exemplos nos mostram o quanto uma coisa está conectada à outra. Então, da mesma forma que quando algo vai bem o resto acompanha, o oposto também acontece.

Por exemplo, quando um sacerdote não está bem mentalmente, ele se afasta da sua vivência com Deus, perde as esperanças e se sente desanimado. Logo, prejudica sua saúde física e emocional. O contrário também acontece, a saúde mental é afetada primeiro e em seguida, a espiritual.

É muito importante que a sua saúde esteja fortalecida para enfrentar as dificuldades do dia a dia com resiliência e tranquilidade. Temos alguns conselhos que podem te ajudar a entender como fortalecer sua saúde. 

Dicas práticas para o seu dia a dia 

Duas ações essenciais para fortalecer sua saúde são: atividade física e uma boa noite de sono. O exercício físico libera hormônios, como a endorfina, uma substância que promove a alegria. Por sua vez, o sono regulado é responsável por fazer com que você descanse o corpo, pense melhor e tome decisões mais assertivas. 

Também priorize seus momentos de descanso. Sabemos que uma vida em comunidade é exigente, mas respeite os momentos livres que você tem para descansar e fazer coisas que lhe dão prazer, como ler um livro ou passar um tempo com Deus. 

Lembre-se também da sua humanidade. O único capaz de ser perfeito é Deus. Nós somos seres limitados e precisamos aceitar isso. Quando tiramos de nós a pressão que é vencer o mundo em 24h, a nossa saúde mental e emocional tem a oportunidade de se revitalizar. 

Procure ajuda médica e profissional, seja de médicos especialistas, psicólogos ou professores de educação física. Também mantenha amizade com pessoas que possam te dar apoio e te ouvir!

Porém, acima de tudo, seja paciente, pois como mencionado no início do artigo, fortalecer e cuidar da saúde demanda cuidado e atenção. Seja persistente. 

Coloque em prática essas dicas e medite sobre o assunto, respeite seu tempo e não tenha vergonha de procurar ajuda! 

Compartilhe esse texto com seus amigos para que mais pessoas conheçam a importância e como fortalecer a sua saúde mental, física, emocional e espiritual. Além disso, te convido para acompanhar o nosso site, onde publicamos conteúdos de aprofundamento na saúde e na espiritualidade.

7 mitos sobre crise de ansiedade

A crise de ansiedade é desencadeada por uma série de fatores, como dias de trabalho estressante, medos, dúvidas sobre a vida, futuro e vocação, preocupações intensas, cansaço extremo e muito mais.

Uma crise de ansiedade pode ser tão intensa que o ansioso pode nem saber diferenciar os sintomas com os de um ataque cardíaco, especialmente se ele estiver passando por isso pela primeira vez. 

Geralmente, ele vai sentir as mãos trêmulas, sudorese, palpitação e tontura. Além disso, o corpo ficará tenso e provavelmente dolorido.

O que chama ainda mais a atenção acerca da ignorância sobre a doença é que muitas pessoas convivem com crises de ansiedade, sem saber que estão passando por ela, especialmente no Brasil. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ansiedade afeta 18,6 milhões de brasileiros.

Apesar de ser comum, muitos ansiosos não conhecem o verdadeiro significado do transtorno, assim como não sabem como melhorar, como agir ou quais as causas. O assunto é debatido e frequente, mas ainda há muito preconceito, desinformação e mitos!

Mitos sobre a crise de ansiedade

A crise de ansiedade pode fazer parte do comportamento do ser humano. De maneira controlada e saudável, demonstra um clima de espera por um determinado momento necessário. Entretanto, quando se torna desequilibrada nos faz ansiar ou temer algo de forma descontrolada, afetando o convívio social, a saúde, sendo profundamente prejudicial.

Contudo, antes de lutar contra qualquer problema mental é preciso conhecer o adversário, inclusive desvendar os mitos que o cercam. 

#Mito 1- Crise de ansiedade dá só em adultos

A crise de ansiedade não é uma exclusividade dos adultos. Ou seja, você pode desenvolver o problema na infância, ignorado e carregado até a vida adulta.

#Mito 2- O ideal é evitar situações de ansiedade

Apesar de ser instintivo fugir do que causa aflições e medos, nem sempre está no controle de quem sofre crise de ansiedade evitá-los. Portanto, o ansioso precisa criar mecanismos para lidar com os gatilhos e os enfrentar. Desse modo, pense em quais são e por que te afetam dessa maneira.

Entender os motivos pode ser um grande passo para compreensão e melhora. 

#Mito 3 – Pessoas ansiosas não tem cura 

Esse é um grande equívoco, pois, com um tratamento médico especializado, terapia e medicamentos, o ansioso pode apresentar grande evolução e melhora. Em alguns casos, a pessoa nunca mais terá que lidar com crises de ansiedade.

Além disso, com a terapia, é possível adquirir autoconhecimento, o que é um fator importante para lidar com as crises de ansiedade. 

#Mito 4 – Após tratamento, a ansiedade nunca mais volta

Isso não pode ser afirmado, porque há vários fatores de risco e gatilhos para as crises de ansiedade. Além disso, novas preocupações podem surgir, além das citadas no início do artigo e desencadear novas crises. 

Portanto, o tratamento, o autoconhecimento e o cuidado constante são as melhores maneiras de evitar uma crise de ansiedade

#Mito 5 – Bebidas alcoólicas ajudam a combater as crises 

Encontrar refúgio na bebida, em momentos em que a ansiedade está aflorada, pode acarretar ainda mais problemas. Afinal de contas, a sensação reconfortante é passageira. 

#Mito 6 – Crises de ansiedade não geram efeitos físicos

Esse é um mito bem comum. Por se tratar de uma condição mental, muitas pessoas acreditam que ela não chega ao corpo, mas os ansiosos, durante uma crise, podem sentir suas mãos tremendo, dificuldade para respirar, dores generalizadas e frequência cardíaca acelerada. 

#Mito 7 – Tomar remédios é a única maneira de controlar as crises de ansiedade 

Com a terapia e o autoconhecimento é possível controlar e entender as crises de ansiedade e os seus gatilhos. Embora as medicações sejam de grande valia, não são as únicas opções. 

Domar a ansiedade atribui uma qualidade de vida consistente, a produtividade aumenta, as relações pessoais se tornam mais sadias, o trabalho flui e o copo parece sempre estar meio cheio. 

Compreender as crises de ansiedade é o primeiro passo para ter uma vida mais saudável e equilibrada. Procurar ajuda e entender que essa é uma doença que precisa de tratamento leva à tranquilidade e à paz, além disso, fortalecer a amizade e a intimidade com Deus, durante o processo, torna tudo ainda melhor.

Compartilhe esse artigo com seus amigos para eles poderem clarear sua mente acerca das crises de ansiedade.

5 dicas para lidar com a ansiedade na vida consagrada

Momentos de ansiedade, seja por motivos desafiantes ou mesmo de celebração, fazem parte do cotidiano. Na vida religiosa e sacerdotal não é diferente. Além disso, muitas são as realidades difíceis que a missão expõe, seja pelas dores do mundo ou pelas dificuldades enfrentadas. 

Por conta da pandemia, saímos de uma vida de intensa atividade apostólica e pastoral. Foi necessário fechar as portas das igrejas, parar com os eventos e manter as comunidades reclusas, gerando uma rotina nunca vivida antes por tanto tempo. Logo, a ansiedade passou a ser uma vilã ainda mais presente na vida religiosa. 

Além disso, a falta de presença na realidade e a busca exagerada do que ainda não faz parte do presente tendem a adoecer homens e mulheres. Logo depois do período mais crítico da pandemia, falou-se muito de uma epidemia de ansiedade e depressão. 

Por isso, tem se tornado cada vez mais comum religiosos e sacerdotes sofrerem com transtornos de ansiedade, depressão e outras patologias. Confira 5 dicas para administrar da melhor forma possível as ansiedades da vida.

Concentre-se no presente 

A vida do ansioso tende a perder sua qualidade, sobretudo quando surgem sintomas fisiológicos como taquicardia, sudorese, falta de ar, tonturas e outros. Uma das formas de lutar contra isso é focar-se na realidade, no presente.

Santa Teresinha do Menino Jesus, em sua pequena via, orienta: “Só temos o hoje para amar!”. Essa prática traz uma imersão na realidade que possibilita a fuga de distrações ou ansiedades exageradas. 

Alguns terapeutas orientam que, no momento de crise, deve-se focar em um objeto e tentar descrevê-lo em detalhes, como forma de desfocar-se da ansiedade. 

Portanto, a dica inicial é: procure concentrar-se no presente, na realidade, no que está ao seu redor.

Busque profissionais adequados 

Como dito acima, todos nós convivemos com momentos de ansiedade e tensão. O importante aqui é ficarmos atentos aos nossos limites e, em especial, aos sintomas ditos acima. 

Ao surgirem, ainda que de modo sutil, é importante buscar por profissionais capacitados, como psicólogos e/ou psiquiatras, que acompanhem de perto o caso. 

Contudo, um alerta importante da Congregação para Vida Consagrada é que se busque a orientação de profissionais que sejam alinhados aos valores e princípios da fé e da vida religiosa.

Pratique exercício físico

Já é uma unanimidade na ciência os benefícios da prática de exercício físico para a saúde mental. E quando se refere à ansiedade isso também se aplica, afinal as atividades físicas aumentam a liberação de neurotransmissores como a endorfina, a serotonina e a noradrenalina. 

Quando liberadas no organismo, aumentam a sensação de bem-estar, por agirem diretamente no sistema nervoso central, aliviando a depressão e neutralizando os níveis de ansiedade. 

Qualidade de sono e alimentação

Outras duas realidades importantes sobre a vida saudável que influenciam diretamente nos transtornos de ansiedade são o sono e a alimentação. 

Uma alimentação rica em frutas, verduras e proteínas favorecem a produção dos neurotransmissores e possibilitam uma desinflamação metabólica, necessária para o bem-estar. Ao contrário, alimentos ricos em carboidratos e gorduras saturadas aumentam os níveis de inflamação no organismo. 

Por sua vez, o sono é outro aliado da saúde mental, pois sem o descanso necessário, o corpo não consegue encontrar um nível adequado de esforço e repouso. Mantendo, assim, a pessoa envolvida em níveis de tensão e estresse contínuos. 

Vida espiritual sempre em 1º lugar  

Para qualquer cristão, independentemente de sua condição, a espiritualidade lhe confere um bem-estar necessário. Isso é tão verdade, que cientistas já investigam os efeitos da espiritualidade como benefício para a saúde mental. 

Logo, os religiosos não estão fora dessa dimensão, muito pelo contrário, ainda que sua vida esteja marcada por práticas religiosas, a vida de oração não pode ser negligenciada. 

Obviamente, em momentos de ansiedade e depressão, nem sempre será fácil a oração da Liturgia das Horas, do Rosário ou mesmo horas de adoração ao Santíssimo Sacramento. Porém, a oração como olhar lançado ao céu não pode ficar esquecido. Será Daquele que chamou cada uma das vocações que virá o socorro necessário.

Desse modo, seguindo cada uma dessas dicas é possível combater os malefícios da ansiedade.  O que precisa ser feito o quanto antes!

Como a baixa estima pode prejudicar a vivência da vocação ?

O sacerdote é alguém que recebe de Deus uma vocação sobrenatural. No entanto, esse chamado é vivido por um homem de carne e osso, com uma história marcada por conquistas e derrotas, medos e coragem, potenciais e fraquezas. 

De igual modo, a religiosa ou o religioso, são eleitos por Deus, mas são constituídos com vontade, inteligência, afetividade, memória e imaginação como qualquer outro. Porém, com uma vocação tão alta se torna ainda mais necessário um equilíbrio entre corpo, alma e mente. Afim de que suas feridas sejam integradas ao seu chamado e gere frutos de vida nova. 

Dentre essas feridas, a baixa estima pode atingir diretamente o bem estar afetivo e emocional do religioso. As marcas da própria história podem conferir-lhe uma imagem errada sobre si mesmo, negativa, de modo que seu relacionamento fraterno e apostólico fique comprometido. 

Vamos entender melhor. 

A baixa estima na vida comunitária 

A forma como o religioso ou o sacerdote relaciona-se consigo mesmo e com os outros impacta diretamente na sua resposta vocacional. 

Ao longo da história pessoal, somos marcados por lembranças boas ou ruins, por palavras de valorização ou de depreciação. Por isso, com o passar do tempo é possível que o ser humano dê início a processos de bloqueio ou má relação com a imagem que tem de si mesmo. 

Uma criança, por exemplo, que ao longo de sua vida ouviu palavras duras e humilhantes dos seus pais – cuja missão seria a de fortalecer uma justa e boa estima – desenvolverá sentimentos de baixa estima. Tal complexo é alicerçado nas experiências de infância e adolescência que a pessoa vivenciou. 

Sendo assim, ao se relacionar com seus pares, na vida comunitária ou paroquial, tenderá a diminuir-se e, em contraponto, diminuir o outro também. Muitas vezes, por exemplo, atrás de um superior autoritário ou de um sacerdote inseguro está alguém com baixa estima. 

Uma postura comum nessa estrutura psicológica é a falta de esperança acerca de si e de suas próprias capacidades. Frente a um chamado divino, não nos cabe apoiar as forças em suas capacidades, mas na Graça de Deus. Por isso, se o religioso volta-se para si e não tem uma mínima impressão positiva de si, dificilmente dará passos significativos. 

Por outro lado, para perseverar na vida vocacional, é possível que religiosos se agarrem à segurança que cargos e atribuições lhe dão, os impedindo de crescer na caridade.

Para que você ame com liberdade é preciso uma auto imagem adequada. É uma questão de ser feliz.  

O processo de transformação da estima 

Em se tratando de melhorar a estima, ou seja, adquirir autoestima, alguns passos são necessários, visando uma integração da alma, do corpo e do espírito do religioso. 

Primeiro, é importante que o religioso ou sacerdote busque trabalhar com seu diretor espiritual os efeitos da baixa estima na sua vida espiritual, na sua relação com Deus e com a comunidade. 

Depois, se o problema afeta diretamente sua psique, desenvolvendo crises de ansiedade, depressão ou tristeza recorrente, é indispensável que se busque um profissional com um psicólogo ou um psiquiatra, de acordo com a intensidade dos sintomas. Ainda que haja muito preconceito com os tratamentos terapêuticos na vida religiosa e sacerdotal, é importante lembrar que para uma boa saúde psíquica os profissionais podem auxiliar de modo eficiente os principais desafios enfrentados na dimensão mental e psicológica.

Por fim, uma dimensão que não se pode esquecer é o cuidado com o corpo. Muitas vezes a baixa estima tem a ver com a insatisfação com seu próprio corpo e sua saúde fisiológica. Aprenda a dar ouvidos ao seu corpo; o sobrepeso, a falta de força física, as crises de estresse frequentes, podem sinalizar a necessidade de cuidados. Buscar uma alimentação equilibrada, praticar exercícios físicos, podem auxiliar de modo consistente seu processo. 

 Transtorno de Ansiedade na vida religiosa

Não é comum ouvirmos sacerdotes, religiosos, freiras e frades comentando sobre transtorno de ansiedade na vida religiosa. A busca pelo caminho da perfeição evangélica e os inúmeros compromissos missionários tendem a ocultar a figura humana, frágil e necessitada que há em todo homem e mulher, independentemente da sua vocação. 

Os sintomas começam sutilmente, mas podem chegar a uma proporção insustentável. Obviamente, todos possuem em maior ou menor grau uma ansiedade tida como normal. Afinal, precisamos dela para reagirmos a qualquer possível perigo ou expectativa. 

Contudo, a ansiedade pode desenvolver-se a partir de sentimentos como medo e insegurança relacionada a determinada preocupação excessiva com o futuro. Não necessariamente quanto à uma realidade, mas, muitas vezes, projeções irreais de problemas que possivelmente nunca acontecerão. 

A ansiedade na vida religiosa na prática

A rotina dos religiosos costuma ser fixa e exigente. É comum que a vida comunitária se articule em 3 dimensões: oração, trabalho e descanso. Cada família religiosa possui um estilo de vida próprio para desenvolver cada uma dessas dimensões. 

Porém, devido às urgências missionárias, é comum que o descanso não seja proporcional ao trabalho apostólico. O documento do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, ressalta que “às vezes o sincero desejo de servir à Igreja, o apego às obras do instituto, bem como as prementes solicitações da Igreja particular podem facilmente levar religiosos e religiosas a sobrecarregar-se de trabalho”. 

Além disso, há um desafio específico na Graça da vida em comunidade: os relacionamentos fraternos. Na convivência fraterna, é comum que haja desentendimentos e conflitos. Em especial, quando se trata de relacionamento com as autoridades, isso pode ser um gatilho para os transtornos de ansiedade. 

O religioso pode apresentar insônia, sudorese excessiva, falta de ar, taquicardia, picos hipertensivos, tontura, dormência na cabeça, pânico sem motivo aparente e desequilíbrio emocional. Diante da identificação desses sintomas, é necessário que as autoridades e o próprio religioso busquem ajuda profissional. 

Quais os tipos de ansiedade? 

Já falamos sobre alguns dos principais sintomas da ansiedade patológica, que variam de acordo com o quadro específico. Exemplo: 

  1. Transtorno de Ansiedade Generalizada: Causa uma irritabilidade e inquietação constantes. Há ainda muito cansaço, causando falta de concentração. Em alguns quadros, os sintomas físicos podem se agravar com palpitação cardíaca, dormência no corpo, entre outros. 
  2. Fobias: Trata-se do surgimento exagerado de um medo paralisante diante de objetos ou situações, como altura, elevador, agulhas, determinados animais. 
  3. Síndrome do pânico: A ansiedade se tornou severa a tal ponto que um pânico surge repentinamente. Juntamente, há uma sensação de morte iminente podendo durar segundos ou minutos. 

Quando é hora de buscar ajuda profissional?

A ansiedade patológica (quando são identificados dois ou mais sintomas) necessita de acompanhamento profissional. Muitas vezes, o tratamento acontece por meio de processo terapêutico e medicamentoso e com o apoio de uma equipe multidisciplinar. 

O próprio Dicastério para Vida Consagrada, no documento já citado acima, afirma que “o recurso a tais intervenções tem se revelado útil não só no momento terapêutico em casos de psicopatologia mais ou menos manifesta, mas também no momento preventivo para ajudar a uma adequada seleção dos candidatos e para acompanhar, em alguns casos, a equipe de formadores a afrontar específicos problemas pedagógico-formativos”.

Ou seja, a própria Igreja orienta que formadores e autoridades estejam atentos à necessidade de auxílio profissional, mediante patologias. Porém, continua: “Em todo o caso, na escolha dos especialistas, deve-se preferir uma pessoa de fé e conhecedora da vida religiosa e de suas dinâmicas. Tanto melhor se for uma pessoa consagrada”.

Portanto, não deve haver vergonha ou timidez quando se é preciso buscar ajuda. Por sua vez, é necessário atenção aos profissionais que serão solicitados a fim de não estarem muito aquém da realidade religiosa e suas nuances. 

 Amiga ou inimiga: a rotina na saúde mental

Toda vida religiosa é composta por uma rotina de hábitos fixos que ditam o ritmo de oração, trabalho e descanso.

No entanto, quando essa rotina torna-se engessada, pode ser uma inimiga, ao invés de uma amiga para a saúde mental.

As cobranças exageradas, a falta de liberdade, o medo das autoridades, a baixa estima, a falta de equilíbrio podem transformar o que deveria ser uma graça, em um problema. 

Como já dissemos aqui no blog, há algumas dicas importantes para preservar a saúde mental, porém sem flexibilidade e atenção a uma rotina saudável não será possível. 

Leia 3 condições indispensáveis para ter qualidade de vida

Entenda quando a rotina é uma inimiga e como torná-la amiga do seu bem-estar. Confira! 

Quando a rotina é vilã da qualidade de vida

Os religiosos costumam acordar cedo. Sejam consagrados ou sacerdotes, o dia começa com orações, a Santa Missa e muitas vezes, logo depois os afazeres domésticos necessários.

Assim, segue em um ritmo acelerado também a vida apostólica e o atendimento às pessoas.

No entanto, as exigências pastorais e missionárias podem sabotar o tempo necessário de descanso e repouso. 

Além disso, a rotina pode ser engolida por muitas atribuições e trabalhos, impedindo o religioso de dedicar-se a atividades saudáveis como a prática esportiva ou mesmo um bom lazer como ir ao cinema, estar com os amigos, ou até dormir mais horas do que o costume. 

A ausência de atividades recreativas prejudica o descanso e a reposição de nossas energias para a missão.

Além disso, a rotina pode ser sufocada por maus relacionamentos fraternos ou administrativos.

Quando não há uma relação amistosa na vivência comunitária, a dinâmica apostólica no Instituto religioso ou mesmo da Paróquia fica comprometida.  

Esse problema pode estar relacionado a uma rotina pesada como citado acima ou mesmo pela personalidade mais difícil do religioso, dos seus irmãos ou colaboradores. 

O Papa Francisco falando, em uma catequese para as famílias, evidenciou a importância de três “palavras mágicas” para boa convivência: Obrigado! Desculpa! Com licença! 

Assim como em uma família, na vida comunitária é indispensável uma contínua gratidão, a consciência dos erros, seguido do pedido de perdão, e o zelo para não invadir a intimidade do outro.

Portanto, palavras como “Obrigado! Desculpa! Com licença!”, colaboram para uma experiência libertadora na vida comum. 

Como favorecer a qualidade de vida?

A dinâmica comunitária dos monges cistercienses divide a vida do religioso em três tempos de oito horas: Oração, trabalho e descanso.

Cada carisma e congregação possui sua dinâmica, porém, se pensarmos em uma rotina saudável, precisamos erguer esses três pilares da vida do religioso ou sacerdote, dando suporte com outras atividades importantes. 

Obviamente um sacerdote diocesano e um consagrado não terão as mesmas horas de oração que um monge.

Mas, fazendo uma divisão adequada entre as atividades comunitárias e pastorais, tendo sua rotina espiritual estabelecida, é possível encontrar tempo para as demais realidades.

É importante, por exemplo, definir os momentos para convivência, para o lazer, para a prática de atividades físicas.

Outra realidade importante para uma rotina saudável é saber usá-la ao seu favor. Por exemplo, vivê-la bem de modo que sair dela não compromete o todo. 

Nunca esquecendo de viver bem o período de férias. Esse é um tempo importantíssimo para os religiosos, não para o ócio, mas para o repouso, o prazer de estar com a família e/ou amigos e a possibilidade de realizar outras atividades que não as corriqueiras. 

Desse modo, fica claro que a rotina, antes de ser indispensável e rígida, precisa ser flexível e atenta às realidades necessárias para o bem-estar também dos religiosos.

Portanto,  faz-se necessário ter um bom diálogo com as autoridades para favorecer um caminho de discernimento. 

Seja sempre franco ao comunicar sua realidade aos seus superiores. Dessa forma a vida comunitária pode tornar-se também um caminho de fraternidade e descanso.