Você está atento aos sinais e dores de um consagrado?

Entre os olhares que se cruzam durante a correria do dia a dia, em meio às reuniões de apostolado ou mesmo no silêncio da capela, as dores de um consagrado podem ser percebidas quando estão juntos uns dos outros.

Portanto, as autoridades precisam possuir um olhar sábio e prudente ao observar sinais diferentes no comportamento de um irmão. 

O extrovertido passa a não expressar mais tanta alegria e disposição. A irmã sempre preocupada com o bem-estar das demais, está sempre cansada e a cada dia mais isolada. O responsável pela casa religiosa, sobretudo nos avisos da noite costuma estar sempre sobressaltado e ansioso. 

Será que você, religioso, sacerdote ou membro de novas comunidades, consegue perceber os sinais e as dores de um irmão consagrado que está ao seu lado? 

Neste artigo traremos alguns sinais de que a saúde emocional e a vida interior de um consagrado se encontra ameaçado. 

Os sinais que só um irmão percebe

Ser consagrado presume uma rotina de vida entregue à oração, ao apostolado e à vida fraterna. Independente do carisma fundacional, os pilares dos conselhos evangélicos, a missão e os desafios da vida comunitária estão sempre presentes. 

Esse relacionamento constante deixa evidente as características de humor, de estilo de vida e de temperamento dos irmãos e irmãs religiosos. Portanto, não deveria ser muito difícil a percepção de um mal estar ou de uma crise vocacional iminente. 

Perceber dores de cabeça constantes, insônia, irritabilidade fora do comum, falta de motivação pelas atividades da comunidade ou apostólica, são alguns dos sintomas – sim, podemos chamar assim – de que alguma coisa não está bem com esse irmão ou irmã. 

Obviamente, há consagrados que conseguem disfarçar quaisquer sinais de que não estão bem. Há aqueles que se destacam por uma presença sempre forte e expansiva nas ações apostólicas. Porém, a falta de apetite, o desinteresse pelos momentos de fraternidade e descontração, o semblante abatido e o constante estado de tensão nas expressões denotam que é necessário descanso e – em muitos casos – ajuda especializada. 

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O que fazer para consolar as dores de um consagrado?  

Aos primeiros sinais de que algo não está bem com o irmão, a conduta deve ser da partilha franca, clara e caridosa. No entanto, é preciso manter o zelo da intimidade e da liberdade de expor as dores, ou não, de seu coração. 

Em seguida, vale a pena que se reporte ao superior que – devido às suas atribuições – nem sempre consegue perceber com clareza o que tem se passado com seus subordinados. Por sua vez, a autoridade deverá procurar esse irmão ou irmã e oferecer-lhe ouvido, apoio, oportunidades de descanso, lazer e férias (quando for possível). 

Em um dos seus encontros com os religiosos no Vaticano, o Papa Francisco afirmou, dirigindo-se aos formadores: “Vocês não são apenas mestres, mas, sobretudo, testemunhas da sequela de Cristo, segundo seu próprio carisma, que pode ser redescoberto mediante a alegria de ser discípulos de Jesus. Por isso, cuidem sempre da sua formação pessoal, que nasce de uma forte amizade com o único Mestre”.

Desse modo, o consagrado poderá ver suas dores sendo acolhidas no seio da comunidade e, quando necessário, contar com ajuda profissional. 

Conclusão 

É possível evitar dores ainda maiores como estafas, depressões severas, ou até suicídio de padres e religiosos quando damos atenção aos irmãos de modo atento e fraterno. 

As dores de um consagrado são as dores de homens e mulheres que vivem em meio aos desafios dos nossos tempos e padecem de enfermidades próprias do século presente. Um agravante também pode ser a luta cotidiana pela fidelidade aos compromissos e à missão, assim como a lida com os sofrimentos do povo ao qual foi enviado. 

Sejamos dóceis e atentos aos irmãos e irmãs que convivem conosco. Seja você também uma âncora que alcança as lutas cotidianas com caridade e generosidade. 

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O que é Síndrome de Burnout?

O trabalho apostólico, a administração de uma Casa de formação, a dinâmica formativa de um seminário, ou mesmo a direção espiritual das almas. Logo, estamos falando de serviços comuns a boa parte dos sacerdotes e religiosos. Contudo, se não bem administrados e integrados na dimensão humana e física, tal qual qualquer outra profissão, pode ocasionar Síndrome de Burnout. 

Traduzindo do inglês, “burn” quer dizer queima e “out” exterior. Segundo o Ministério da Saúde, “a Síndrome de Burnout também pode acontecer quando o profissional planeja ou é pautado para objetivos de trabalho muito difíceis, situações em que a pessoa possa achar, por algum motivo, não ter capacidades suficientes para os cumprir.”

Sendo assim, amplamente conhecido no ambiente corporativo, os sintomas de Burnout podem ser  confundidos com crises vocacionais. Desse modo, religiosos, superiores, seminaristas, sacerdotes, priores, enfim, estão suscetíveis a tal dificuldade. 

A gênese desse transtorno está no excesso de trabalho, sem pausas significativas para o descanso. Obviamente, a oferta de vida e o desejo pelo anúncio do Evangelho podem expor muitos a uma rotina desgastante. Além disso, conflitos interpessoais, em especial com autoridades, ou mesmo, serviços incompatíveis, podem ocasionar a Síndrome de Burnout. 

Desse modo, entenda melhor os sintomas, o tratamento e possíveis consequências do não tratamento adequado.

Como saber se estou com Burnout?

O desânimo para começar mais um dia de trabalho, ou mesmo uma dor de cabeça constante podem configurar sintomas de Burnout. Além disso, segundo o Ministério da Saúde, os principais sintomas da Síndrome de Burnout são: 

  • Cansaço excessivo, físico e mental.
  • Dor de cabeça frequente.
  • Alterações no apetite.
  • Insônia.
  • Dificuldades de concentração.
  • Sentimentos de fracasso e insegurança.
  • Negatividade constante.
  • Sentimentos de derrota e desesperança.
  • Sentimentos de incompetência.
  • Alterações repentinas de humor.
  • Isolamento.
  • Fadiga.
  • Pressão alta.
  • Dores musculares.
  • Problemas gastrointestinais.
  • Alteração nos batimentos cardíaco;

Desse modo, tais sintomas são sinais de alerta que podem ser constantes ou esporádicos. Contudo, sem a devida atenção e tratamento podem agravar-se. Sem um bom tratamento terapêutico, o Burnout pode avançar e tornar-se um quadro de depressão.

Entretanto, tem se tornado cada vez mais frequente o quadro de depressão entre religiosos ou sacerdotes. Boa parte deles, com uma boa investigação, são oriundos de uma Síndrome de Burnout não identificada anteriormente. 

Como tratar 

Em se tratando de estarmos falando sobre um ambiente religioso, obviamente o caminho sempre começará com uma boa partilha com as autoridades, que em espírito de caridade fraterna e evangélica, será suporte para quem sofre. 

Portanto, é necessário o afastamento das atividades apostólicas e, sobretudo, um período de férias da vida comunitária. Desse modo, o tratamento seguirá com um processo terapêutico com psicólogo, e a depender do quadro, com psiquiatra. 

Sendo assim, em geral, não é necessário uso de medicações, porém o médico psiquiatra fará a avaliação adequada. 

Por isso, é de suma importância, que superiores, reitores ou demais autoridades, estejam atentos ao bem estar dos seus subordinados. De modo que, a qualquer suspeita, se tome as medidas necessárias, para evitar transtornos e demais enfermidades, ou até crises vocacionais que culminem no afastamento do religioso. 

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Janeiro, mês para organização

O mês de janeiro nos pede organização. Essa palavra tem muitos conceitos e se aplica em muitas situações. Pode se referir a um grupo de pessoas com o mesmo objetivo, à paróquia, a instituições e muitas outras.

E pode ter várias finalidades, ser temporária ou permanente. Por exemplo: organizar as festas de fim de ano com a família; essa organização é temporária e com uma finalidade bem definida. Mas neste post vamos tratar de organização no aspecto pessoal. Confira.

Diga “adeus” a velha organização e “bem-vinda” a nova!

A organização é uma prática que sempre pede recomeço, mas exige foco! Isso mesmo: ninguém se organiza simplesmente por um perfeccionismo; essa motivação traz muito estresse, engessa a vida e é vazia de sentido. Logo, a organização não serve para isso.

No entanto, a organização que tem um foco concreto, é motivada por uma paixão e é sempre passível de avaliação. Então: o que é organização? É a capacidade de projetar algo e montar uma estratégia para alcançar esse objetivo.

De forma bem simples, se você deseja uma viagem no mês de julho, por exemplo, precisa escolher o lugar, como chegará lá e quanto em dinheiro gastará durante todo o passeio. Depois, fazer uma planilha, colocar em prática e ter o plano B, caso não der certo.

Assim, a organização é uma forma de alcançarmos sonhos a curto e médio prazo. Ela não garante sucesso, mas nos ajuda a dar passos, nos tira do improviso e nos ensina a crescer em vários aspectos da vida humana, espiritual e financeira.

Por onde começa a organização? 

No tópico anterior, falamos sobre organização como uma estratégia para alcançar sonhos, mas o Evangelho nos ensina algo simples e fundamental: “Aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas grandes…” (Lc 16,10). 

Logo, a organização na vida pessoal começa pela rotina, ou seja, estabelecer horários para começar e terminar o dia; cumprir tarefas; ser responsável com os compromissos pessoais; estudos; trabalho e com a organização dos ambientes por onde você passa.

Dessa forma, a organização da rotina diária nos ajuda a organizar grandes situações da vida pessoal em todas as áreas. E, com certeza, responsabilidades não faltam na vida humana, mas muitos não conseguem se organizar e atropelam tudo pela frente.

Mas o agora é sempre a oportunidade de começar uma nova vida, novos projetos e abraçar os riscos que virão. E para os cristãos, há sempre uma motivação que caminha ao nosso lado: o amor de Deus por nós concretizado através de Jesus Cristo e escrito no Evangelho.

Mãos à obra! 

O ano novo inspira muitas propostas, mas elas só darão certo se estiverem no papel, ou seja, precisam de organização. Então, o primeiro passo é se perguntar: o que pretendo neste novo ano para minha vida? Claro que isso inclui muitos atores fundamentais.

Feita a pergunta, coloque no papel e trace a rotina para alcançar a meta. Isso pode envolver a família, o trabalho, estudos, finanças, saúde, como também, é possível escolher apenas uma área para organizar, como prioridade, sem abandonar as demais. 

Depois, trace o plano de ação para não se perder em pensamentos e siga o mapa que você mesmo preparou! Com o tempo, a organização nos aproxima mais do objetivo e o ânimo cresce, mas é preciso ser fiel aos primeiros passos.

A organização pessoal às vezes parece difícil. Mas é possível contar com a ajuda de alguém ou lançar mão de instrumentos preparados para esse fim, como uma planilha para organização pessoal. Assim, com um pouco de dedicação, o resultado aparece.

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Todo consagrado deveria tirar férias neste lugar

Tirar férias é mais que uma necessidade, é um direito de toda pessoa humana. Mas é preciso se educar para tomar essa decisão. Isso mesmo! Às vezes não respeitamos o tempo do corpo e os processos da vida e não nos permitimos o descanso merecido.

Neste post, descubra o significado das férias, seus benefícios e também a sugestão de um lugar que favorece o descanso do corpo e da alma. Confira!

Tirar férias… mas o que são férias?

As férias são o período em que interrompemos o trabalho com o objetivo de descansar. No entanto, o descanso não é um luxo, mas um investimento vital para o desenvolvimento integral da pessoa. Logo, exige respeito e atenção.

Lembramos que o consagrado é um operário da vinha (Mt 9,38); tem atribuições na paróquia, na vida comunitária, nas atividades missionárias e na vida pessoal; além de passar por todos os estresses da vida em sociedade que causam grande cansaço.

E o estresse transforma o estilo de vida e a forma como nos relacionamos, ainda que a oração e os sacramentos nos acompanhem todos os dias. Portanto, é fundamental tomar consciência de que as férias significam descanso e não organização da vida ou outras atividades. 

Tirar férias influencia no descanso físico e mental, porque tira a pessoa da estafa e da rotina de trabalho diária. Por isso são tão importantes para que se possa seguir a vida de maneira serena e produzir a contento, em todos os aspectos, principalmente na vida consagrada.

Tirar férias ou estar de férias

Parece estranho e até engraçado, mas é real. Há pessoas que não tiram férias, só estão de férias. E como é isso? Quando a pessoa sai, mas não se desconecta de suas atividades e usa aquela frase: “Qualquer coisa, me procure”.

Segundo especialistas, 70% das pessoas precisam de pelo menos uma semana para conseguir se desligar da sua rotina de trabalho; as outras 30% precisam de duas semanas ou mais para conseguir se desligar, só então as férias se iniciam. 

Há ainda outros fatores como educação e sexo: As mulheres, por exemplo, têm mais dificuldade em se desligar das atividades do que os homens; algumas reconhecem que só após duas semanas conseguem se desconectar e mudar para o modo férias.

Percebemos também pessoas que foram educadas a não reconhecer seus limites e isso as impede de relaxar. O que mostra nossa limitação, que não significa pecado, mas humanidade. Porém esse pensamento tem solução, as férias ajudam a mudar a mentalidade.

Benefícios das férias

Os benefícios de tirar férias são muitos e melhoram tanto o desempenho profissional quanto os relacionamentos pessoais e o bem-estar de cada indivíduo. Veja quanto bem causa tirar férias para uma pessoa: 

  • #1 Alivia o estresse: a vida humana é cheia de desafios, e quando se trabalha com a salvação das pessoas, somos envolvidos por inúmeros problemas que podem ser absorvidos ou não! E tirar férias nos ajudam a sair das zonas de conflito e a ter mais clareza das situações.
  • #2 Ativa a criatividade: A mente cheia de preocupações não consegue enxergar além e isso impede que se pense fora da caixa. Mas tirar férias proporciona limpeza da mente e logo os horizontes se abrem para novas ideias e sugestões na vida diária e no trabalho.
  • #3 Melhora os relacionamentos: Com a correria da missão, quase não se tem tempo para os amigos e a família! Dessa maneira, as férias são uma ótima oportunidade para fortalecer esses laços e desfrutar de tempo de qualidade com as pessoas queridas.
  • #4 Melhora a saúde: Corpo e mente estão interligados. Estresse, ansiedade e outros problemas surgem através da falta de descanso e são capazes de gerar transtornos físicos. Por isso, tirar férias contribui para a melhora da saúde, porque equilibra o corpo e a mente. 

Consagrado tira férias?

Infelizmente essa é uma pergunta que muitos se fazem fora da vida consagrada. Porém, podemos responder com outra pergunta: consagrados são pessoas comuns? Então, a resposta é sim! E como todo ser humano, eles precisam de férias.

Imagine a situação de um trabalhador comum: sua semana tem sete dias, cinco considerados úteis e dois geralmente destinados ao descanso. Contudo, muitas pessoas trabalham também aos finais de semana ou levam trabalho para casa.

Agora, na vida consagrada, se levarmos em conta o dia a dia – do nascer ao pôr do sol – o religioso está sempre a caminho, principalmente nos fins de semana, quando a comunidade se reúne para celebrar e ser educada na fé.

Então, o consagrado não leva trabalho para casa, porque em sua casa há sempre um trabalho a ser feito, seja de forma material, seja no empenho da oração, na escuta das pessoas ou nas preocupações que carrega na mente e no coração.

E se não houver férias?

Há uma síndrome chamada de Burnout, que é um tipo de estafa profissional, que tem se tornado cada vez mais comum. Ela é resultado de uma cultura em que o excesso de dedicação a algo, seja carreira ou qualquer outra atividade, é visto como um símbolo de status. 

Esta síndrome é resultado também da falta de cuidados consigo em necessidades vitais, entre elas as férias. Claro que a síndrome se instala gradativamente, nem se percebe às vezes, mas há também a ansiedade, depressão e doenças físicas. 

Por isso, tirar férias não é um desperdício de tempo, mas uma atitude de amor próprio em vista da missão de cuidar do outro. E para que isso aconteça, é urgente descansar por algumas semanas, dedicando-se ao próprio bem-estar. Logo, voltar mais satisfeito e produtivo.

Centro Âncora, lugar de estar em férias!

O Papa Emérito Bento XVI nos dá 4 conselhos para um bom descanso da mente e do corpo: A leitura espiritual, a natureza, passeios construtivos e o encontro com Deus; isso nos liberta de cargas desnecessárias na vida consagrada.

E se pudéssemos encontrar tudo isso em um único lugar, onde a vida consagrada é vista aos olhos de quem cuida e não como funcionalidade ou constante responsabilidade? Pois saiba que este lugar existe!. Estamos falando do Centro Âncora, um centro de apoio à vida religiosa e sacerdotal. 

O Centro Âncora localiza-se em Pinhais, próximo ao centro de Curitiba-PR, e é totalmente destinado ao descanso e ao cuidado de quem se dedica ao povo de Deus; das estruturas físicas ao corpo de profissionais, tudo voltado para a recuperação da alma e do corpo. 

O Centro é um sopro de Deus no coração da Comunidade Copiosa Redenção e há 10 anos tem proporcionado a recuperação emocional de muitas pessoas. Para isso conta com uma equipe de profissionais qualificados e um ambiente favorável para o encontro frutuoso.

Afinal, quem busca férias nunca se afasta do seu objetivo maior que é ser pertença de Deus. Mas tirar férias também significa cuidar de si, principalmente nos momentos mais difíceis da vida. Logo, o Centro Âncora está à sua disposição para qualquer dúvida.

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A relação entre esperança e sofrimento na vida de uma pessoa religiosa

Como já deixamos claro em outros artigos, um aspecto que uma pessoa religiosa não pode se esquecer é sua limitação humana. O fato de ser religioso ou sacerdote não o faz uma espécie superior, protegida do sofrimento e dos desafios da vida. 

Contudo, se lembrarmos dos personagens bíblicos, já no Antigo Testamento temos o testemunho de Jó que foi submetido à prova de fé e de esperança. O próprio Jesus, em seu caminho de Redenção da humanidade, passou por momentos de perseguição, solidão e morte. 

Logo, São João da Cruz chamou o sofrimento na alma esposa de Noite Escura da alma. Ainda que a definição seja mais profunda e complexa que a expressão, quando o sofrimento bate à porta da vida de um (a) religioso (a), ou um sacerdote, há a sensação de que o sol se escondeu e um tempo de escuridão começou. 

Entenda como a esperança é o caminho de superação e fidelidade a Deus mesmo diante do sofrimento. 

O sentido do sofrimento na vida religiosa 

Quando falamos em sofrimento, podemos vivê-lo de modos diversos na vida religiosa e sacerdotal. Às vezes ele bate à porta por uma doença física, que por diversas realidades afasta da vida comunitária ou missionária. Além disso, um dos desafios, também enfrentados, são as patologias relacionadas à psique. Estamos falando de ansiedade, pânico, estafa, depressão, Burnout, entre outros. 

Além disso, os problemas comunitários e fraternos quase sempre participam do cotidiano dos religiosos. Seja o desentendimento com as autoridades, a falta de aceitação das ordens dadas, o desencontro fraterno, a indiferença entre irmãos ou, mesmo, perseguições. 

Porém, a porta de grandes sofrimentos na vida religiosa está na falta de aceitação dos desafios e exigências, próprias de um chamado à radicalidade evangélica, como nos disse o Papa Francisco. “É triste ver consagrados amargos, consagradas amargas: fecham-se na lamentação pelas coisas que não funcionam a tempo e horas, num rigor que nos torna inflexíveis, em atitudes de pretensa superioridade”.

Além disso, a ilusão acerca de si mesmo e da vida humana acarreta inúmeras crises e sofrimentos. Achar que fora da vivência comunitária haverá uma terra prometida onde emana leite e mel – contém figura de linguagem – é algo que foge da realidade concreta. 

O sofrimento é inerente à vida humana, desde os primórdios da história bíblica, encontramos os caminhos tortuosos nos quais os grandes nomes da nossa fé enfrentaram. No entanto, uma virtude específica os mantinha firmes, a esperança.

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Esperança, virtude no sofrimento, estilo de vida no cotidiano

A esperança “é o aguardar confiante da bênção divina e da visão beatífica de Deus; é também o temor de ofender o amor de Deus e de provocar o castigo” (CIC 2090). Tal sentimento forjou os santos e, certamente, fundadores e fundadores das diversas ordens religiosas. 

Os sacerdotes de referência como São João Maria Vianney ou São Damião de Molokai, eram, certamente, alimentados por essa esperança, que como diz São Paulo, não engana. Em meio aos sofrimentos, os olhos voltados para Deus e para a eternidade enche de sentido cada dificuldade. 

Desse modo, é necessário que a esperança não seja só um sentimento, mas um estilo de vida cotidiano.

Quando as dores ou sofrimentos insistem em propor a desistência, é importante ter os olhos voltados para o céu, olhos que enxergam além do sofrimento, mas a intervenção de Deus que cuida de todas as coisas. 

Obviamente, há os sofrimentos de ordem psíquica e fisiológica, que precisam de ajuda profissional. Isso não pode ser um motivo de decepção ou vergonha, mas de reconhecimento dos próprios limites, inerentes à nossa condição humana. 

Conclusão 

“Irmãos e irmãs, o Senhor não cessa de dar sinais para nos convidar a cultivar uma visão renovada da vida consagrada. Isso faz falta, mas sob a luz, sob a moção do Espírito Santo. Não podemos fingir que não vemos esses sinais e continuar como se não importasse, repetindo as coisas de sempre, arrastando-nos por inércia nas formas do passado, paralisados pelo medo de mudar”. Essas são palavras do Papa Francisco no Dia Mundial da Vida Consagrada, em 2022. 

Com ele aprendemos a renovar nossa visão, nos lançando ao que há para frente, mesmo diante dos sofrimentos e das dificuldades. Em tudo, esperança! 

Como viver o luto na vida religiosa?

Luto é o período necessário para a superação da perda de um amigo, familiar ou ente querido. Contudo, não se trata de não mais sentir saudades ou dor. Estamos falando de evoluir o sofrimento demasiado, causado pelo impacto da perda, para um sentimento de saudade, equilibrado. 

Na vida religiosa, essa experiência é vivida de diversas formas. Seja com a perda de um parente, ou de um irmão ou irmã de congregação, do clero, ou mesmo do povo de Deus, ao qual pode apegar-se. 

Além disso, pode acontecer um luto voltado às próprias dores e vivências do cotidiano da vida religiosa. Afinal, é preciso “morrer o homem velho” para ressurgir o religioso ou o sacerdote.  

Preparamos um artigo que ajudará você sacerdote, religioso ou religiosa a viver bem esses momentos de dor na vida com Deus e na missão. Confira! 

O que a ciência fala sobre o luto

Apesar de tudo o que a ciência da psicologia já desenvolveu acerca do luto, sabe-se que não há um padrão determinado de tempo ou intensidade dessa experiência tão dolorosa. Afinal, depende de fatores como nível de relacionamento, maturidade espiritual e psíquica, e compreensão acerca do eterno. Tudo isso influenciará positiva ou negativamente na hora da despedida. 

É possível que se tenha sintomas emocionais como tristeza profunda, perda de interesse, perda de sentido da vida ou um desânimo demasiado. Ou ainda, sintomas físicos como dor de cabeça, falta de apetite, perda da memória, choro constante, medo e demais sintomas similares à ansiedade e pânico. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define o luto prolongado como um transtorno mental, de acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID). Trata-se de uma extensão dos sintomas de luto, após a perda, por um período mínimo de 6 meses em diante. 

A orientação dada pelos especialistas é de que seja feito um acompanhamento com profissionais sempre que o luto tomar proporções maiores, comprometendo a saúde física e mental do indivíduo. 

O luto nas Sagradas Escrituras e na vida dos santos 

Se olharmos para os personagens bíblicos e a história de vida dos santos poderemos encontrar vários sinais de vivência de um profundo luto, em ocasiões diversas. 

Podemos nos lembrar de Davi sofrendo a dor da morte do amigo Jônatas e de Saul, seu pai. “Então Davi apanhou as suas vestes e as rasgou, e todos os homens que o acompanhavam fizeram o mesmo. Lamentaram-se e choraram, jejuaram até à tarde por Saul e por Jônatas, seu filho” (II Sam 1, 11s). 

O próprio Jesus viveu momentos de luto. A Tradição se refere à morte de São José, seu pai, que certamente o marcou profundamente. Assim como, os textos bíblicos registram seu choro de luto com a morte do amigo Lázaro, que o ressuscitara em seguida. 

A santa família Martin, desde os pais, São Luís e Zélia Martin, e sua célebre filha, Santa Teresinha, como toda família, viveram momentos fortes de luto. Por isso podem ser uma referência para os religiosos e sacerdotes que enfrentam esse momento. 

Diante da páscoa definitiva do seu pai, São Luís, a florzinha do Carmelo exclamou: “A morte de papai não me faz o efeito de uma morte, mas de uma verdadeira vida”. Ou seja, sua compreensão acerca da eternidade já era tão alta, que pôde viver um luto de saudade intenso. Mas não de desespero, pois confiava que seu pai tão querido merecia o céu.

Contudo, é preciso aqui considerar o processo natural de maturidade e desenvolvimento espiritual. Santa Teresinha sofreu intensamente a morte de sua mãe. Chegou a dizer-se paralisada diante do caixão, ainda que não tenha chorado muito; tinha 4 anos e meio quando aconteceu, mas  lembrava-se com riqueza de detalhes aquele momento de luto. 

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Religiosos e sacerdotes diante da morte

O período da pandemia pôs à prova a fé e a esperança de muitos religiosos e religiosas, em especial dos sacerdotes. Mortes seguidas, muitas vezes de pessoas próximas e da mesma família, impactou fortemente muitas famílias religiosas. 

Aquelas que possuíam idosos, perderam alguns dos irmãos, ou mesmo foram impedidos de viver o tempo de luto com velório e sepultamentos dignos, passaram com fortes traumas por esses momentos. 

No entanto, a vivência religiosa estimula uma visão de eternidade sempre latente. Como a já citada religiosa francesa afirmou diante da morte, “não morro, entro na vida!”.

Essa consciência, atrelada à resignação própria de quem busca conformidade com a vontade de Deus, prepara o coração dos religiosos diante da morte de alguém querido. No entanto, diante dos lutos que a vida exige, como uma mudança de autoridade ou de localidade de missão, ou mesmo o sacrifício de ofertar algo a Deus, não passa longe dessa experiência. 

Obviamente, a sensibilidade de uns entrará em confronto com a sensibilidade de outros. Portanto, pode acontecer que algum religioso sofra com mais intensidade os sintomas de luto, como já falamos em outros artigos, não podemos perder de vista a humanidade de cada religioso ou sacerdote.

Conclusão 

A morte faz tão parte das nossas vidas como o luto. Seja quem parte ou quem fica, a experiência de Cruz e Ressurreição nos coloca numa dinâmica de conformidade com a vontade de Deus.

É importante que autoridades religiosas estejam atentos à necessidade de ajuda profissional, sempre que necessário. 

O tempo do luto precisa ser respeitado, no entanto, é preciso clareza quando a dor passar do limite e começar a afetar a qualidade de vida da pessoa. Fique atento! 

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Centro de Revitalização Âncora: cuidar-se para cuidar

O religioso ou a religiosa e o sacerdote possuem uma grande missão: pastorear o povo de Deus em suas necessidades e aflições da alma. No entanto, só alguém que cuida de sua própria saúde e bem-estar poderá cuidar de outros de modo saudável e fecundo, sem comprometer a própria saúde.

Ser escolhido por Deus para uma vocação de seguimento radical à pessoa de Jesus Cristo, não é um privilégio, é uma ação deliberada da Misericórdia de Deus. Afinal, somos todos humanos, pecadores e limitados. Por isso, quando Deus chama um homem no meio dos homens para o sacerdócio, o capacita para toda boa obra. 

Trabalho pastoral, acompanhamento pessoal dos fiéis, administração econômica de paróquias ou núcleos comunitários, gestão escolar, gestão de recursos humanos, comunicação, evangelização de todo tipo, os trabalhos religiosos possuem um catálogo infinito e diverso. 

Se precisa, o religioso se dispõe. Porém, é preciso atenção: cuidar de quem cuida de nós! 

Definimos algumas orientações para que religiosos e sacerdotes não se eximem de cuidar de si e da sua qualidade de vida. 

Cuidar da qualidade de vida em meio à missão  

A definição de qualidade de vida, segundo a Organização Mundial da Saúde vai muito além da saúde física. Trata-se de manter em equilíbrio a saúde física, emocional e mental. 

Vive com qualidade quem possui todo o necessário para que corpo, alma e mente vivam em harmonia. Isso não é fácil para qualquer um nos tempos de hoje, e se torna ainda mais complexo para a vida religiosa. 

Os desafios enfrentados pelos sacerdotes e religiosos nos últimos tempos tem levado muitos a transtornos de ansiedade, pânico, depressão, e em casos ainda mais extremos, ao suicídio. 

A rotina frenética, o uso descontrolado e desmedido das tecnologias, os desafios apostólicos, a má administração dos afetos e emoções, e em especial, uma certa deficiência na formação acerca da saúde emocional e psíquica, tem gerado preocupação. 

A missão não para, é fato! No entanto, os religiosos também não podem descuidar-se da saúde. É preciso encontrar o ponto de equilíbrio, e para isso formadores, responsáveis, bispos e reitores precisam auxiliar e, ao identificar qualquer descompasso, cuidar, pastorear e dar suporte aos que estão sofrendo. 

Dom Rafael Cifuentes, arcebispo emérito de Nova Friburgo, falecido em 2017, afirmou que “a maturidade é o justo equilíbrio entre dois extremos”. Portanto, com essa definição é possível começar a trilhar um caminho no qual a oferta de si a Jesus e à missão não entre em contraste com os cuidados com o Templo de Deus, que é cada um de nós.  

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Cuidar de si em meio aos sofrimentos 

O sofrimento é inerente à vida do homem. Todos estão sujeitos ao padecimento de desafios e dificuldades. Jesus o sabia, e deixou claro para seus discípulos: “Se quiserem me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga!”. 

Para qualquer pessoa que viva no século é difícil a compreensão das dores e dos sofrimentos que os religiosos e sacerdotes enfrentam. São diversas as angústias que acompanham a vida consagrada e o apostolado cotidiano. 

Lidar com as dores da humanidade, com as lutas contra as próprias limitações, com as dificuldades da vida comunitária, entre outros, podem minar a saúde desse público. É preciso encontrar formas de enfrentamento e prevenção. 

Podemos dar algumas dicas para que os religiosos possam cuidar da própria qualidade de vida, em meio a tudo isso: 

  1. Manter uma rotina de sono de mais de 7 horas por noite;
  2. Ter momentos de descanso e lazer com amigos e familiares, sempre que possível;
  3. Buscar uma alimentação saudável e balanceada;
  4. Encontrar um equilíbrio no uso das mídias digitais; 
  5. Favorecer o próprio imaginário com boas leituras e artes; 

Não tenha vergonha de pedir ajuda 

Um dos principais obstáculos na hora de cuidar da saúde de um religioso ou sacerdote é o preconceito que boa parte desse núcleo tem quando precisa pedir ajuda. Expor a própria vulnerabilidade não é algo fácil, em especial para quem vive uma experiência de vida espiritual. 

No entanto, essa é uma mudança de chave indispensável para saúde psíquica. Assim como, para vida de santidade de cada religioso e sacerdote. Reconhecer que precisa da ajuda do próximo é encher-se de humildade – a virtude dos santos – e encontrar-se abandonado nas mãos de Deus e dos irmãos. 

Pedir ajuda é reconhecer-se Filho de Deus, Filho da Igreja,  portanto encontre dentro de você – se tem passado por algum desses desafios – abertura para partilha com seus superiores, ou mesmo com algum grupo que dê suporte necessário. Buscar profissionais nessas condições é cuidar de si para cuidar do próximo! 

O Centro de Revitalização Âncora está de portas abertas para todo aquele que precisar de cuidados! Conheça nossas dependências e conte conosco! 

7 dicas para vencer a insônia

Um dos principais alertas que o organismo dá de que a saúde psíquica não está bem pode ser a insônia. Noites mal dormidas, ou passadas em claro, envolta em pensamentos e ansiedades que impedem o descanso e, consequentemente, o bem-estar. 

As responsabilidades da vida, preocupações, medos e dificuldades de relacionamento ocupam a mente e dificultam o relaxamento característico do momento de sono. Principalmente, sacerdotes, autoridades, formadores ou reitores, prioras e madres costumam sofrer de insônia, com certa frequência, devido ao alto grau de atribuições que a função exige. 

Para ajudar com essa dificuldade, preparamos 7 dicas práticas que poderão ajudar você a vencer a insônia. Logicamente, há casos em que só a intervenção medicamentosa será eficaz, por isso é necessário um bom acompanhamento médico e terapêutico. 

1 – Procure estabelecer uma rotina 

Assim como boa parte das realidades da vida humana, a rotina é uma boa aliada quando se trata de sono. Manter o padrão de horário para deitar e acordar, respeitando as 8 horas de sono necessárias para a reparação do organismo, é indispensável. 

Não se trata somente de horários, mas de um estilo de vida que estabeleça uma prática corriqueira de preparação para o sono, um ritual. Desse modo, seu organismo se educa e passa a se preparar, também, com a carga hormonal necessária para o descanso. 

2- Busque um quarto completamente escuro 

Luz e escuridão possuem sua importância quando se fala em dormir bem. O uso de luzes no quarto, por menores que sejam, bloqueiam ou dificultam a produção de melatonina, o hormônio do sono. Além disso, a luz no quarto produz cortisol, o hormônio do estresse. 

A melatonina é responsável por reduzir a pressão arterial, os níveis de glicose e a temperatura do corpo, a fim de produzir um sono reparador. Sem isso, o organismo não consegue atingir os níveis de sono necessários para o relaxamento completo.

3 – Evite o uso de telas até 2h antes de dormir

Pelo mesmo motivo citado acima, é necessário evitar o uso de telas antes de dormir. A luz que emana dos dispositivos eletrônicos são responsáveis pela deficiência de melatonina, dificultando, portanto, o relaxamento. 

Muitos se viciaram em “relaxar” utilizando o celular antes de dormir, contudo isso é uma prática condenada pelas sociedades de medicina.  Exatamente, pelo alto índice de cortisol liberado no organismo, pelo estado de atenção e ansiedade e pelo uso da luz próxima ao olho. 

4 – Utilize chás e óleos essenciais para relaxar

Há uma série de chás e óleos essenciais que vêm sendo amplamente estudados para auxiliar o organismo a preparar-se para dormir.

Chás de camomila, erva-cidreira, capim santo, erva-doce são alguns exemplos que, além de serem saborosos, possuem propriedades relaxantes. Os óleos essenciais também têm sido utilizados com ainda mais frequência, em especial o óleo de lavanda.

De acordo com um estudo, o óleo de lavanda tem propriedades anti-inflamatórias, fungicidas, bactericidas, antimicrobianas, antissépticas e analgésicas. Além disso, o óleo também pode exercer efeito antidepressivo, sedativo, antiespasmódico, desintoxicante e hipotensor.  

5 – Tome banho com água morna 

O banho morno relaxa e distenciona os músculos preparando o organismo para o sono. Por isso, um bom banho antes de dormir, com temperatura morna, auxilia no relaxamento. Enquanto o banho gelado desperta e ativa o cérebro, o banho morno relaxa e alivia dores e tensões. 

6 – Não se medique sem prescrição médica

Algo muito comum em quem sofre de insônia é a busca por uma solução rápida e, muitas vezes, sem a devida orientação. Assim, como em qualquer outra doença, não se pode buscar medicações sem prescrição médica. Em especial, no uso de medicações psiquiátricas. 

Por isso, não utilize nenhum tipo de medicação antes que o médico oriente, escute e prescreva, de acordo com a necessidade. 

7 – Utilize ruído branco 

Uma técnica muito conhecida pelas mães mais jovens é o uso do ruído branco para auxiliar no sono. Trata-se de um sinal sonoro que contém todas as frequências na mesma potência. Um exemplo é o chiado da TV quando não está sintonizada, ou mesmo o som do ventilador. 

Há também app com sons de chuva, cachoeira, do mar que ajudam os neurotransmissores ao relaxamento até que se atinja o sono reparador. Vale a pena a experiência. 

Além dessas dicas, é importante que, se os problemas persistirem, buscar, o quanto antes, profissionais adequados como o psiquiatra e o psicólogo, para uma consulta. O importante é que não se demore na condição de insônia para evitar problemas maiores como depressão ou outros transtornos psicológicos. 

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Como dar mais qualidade de vida aos missionários?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), qualidade de vida é “a percepção do indivíduo de sua inserção na vida, no contexto da cultura e sistemas de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”.

Então, a qualidade de vida envolve o bem-estar espiritual, físico, mental, psicológico e emocional, além de relacionamentos sociais, como família e amigos e, também, saúde, lazer, educação, habitação e outras circunstâncias da vida.

Mas quem tem direito à qualidade de vida? Parece uma pergunta sem sentido, porém facilmente esquecemos que toda pessoa humana precisa de vida saudável, conforme citou a OMS, e isso inclui a vida missionária religiosa.

Vamos nos tornar promotores de qualidade de vida para os missionários a partir de algumas dicas e colheremos, não apenas o fruto saboroso da doação de sua vida, como também contribuiremos para que eles vivam mais e melhor.

Qualidade de vida segundo o Evangelho

Quando lemos o evangelho, nos encantamos com a doação total de vida do Mestre. Ele viveu em função de sua missão e alcançou o objetivo totalmente, pagando um preço alto por nossa salvação através de sua paixão, morte e ressurreição.

No entanto, podemos correr o risco de supervalorizar a morte de Cristo em lugar da vida, da ressurreição, como se ele tivesse programado sua morte de Cruz, tão dolorosa para qualquer ser humano.

Porém, a forma como ele morreu foi devido a maldade das autoridades da época, imagine que o próprio Deus jamais gostaria de ver seus filhos na mesma condição. Então, ele não deseja a morte de ninguém, ao contrário, a vida segundo o evangelho é abundante.

Por isso, lutar pela vida é um dever cristão, seja na sociedade, na família ou na Igreja. Mas esse zelo começa com pequenas coisas no dia a dia que podemos praticar frequentemente e produz melhor qualidade de vida. 

Leia também: 5 práticas para uma boa saúde psicológica na vida religiosa – Copiosa Redenção

Algumas dicas para ajudar na qualidade de vida dos missionários

De fato, a vida missionária religiosa é um reflexo da vida de Cristo. É um dom imenso para a Igreja e o povo de Deus, quantas histórias maravilhosas de vida doada, santidade e serviço em favor do povo de Deus, principalmente os mais pobres.

Mas a vida do missionário precisa de cuidados e a maior prova de nossa gratidão é a fraternidade. Vamos zelar por suas vidas através de pequena iniciativas:

#1 Acolhimento fraterno

Cada missionário tem sua história de vida. Você parou para ouvir como se deu sua descoberta vocacional e não apenas o que ele sabe sobre o evangelho, a doutrina ou sua instrução acadêmica? Pois é, isso é acolhimento.

A qualidade de vida envolve acolher a pessoa com sua história e não apenas pelo que ela realiza em nosso favor. Então, convide o missionário para visitar sua família, para um almoço fraterno favoreça sorriso, partilha e amizade. 

Porque conhecemos uma pessoa quando nos aproximamos e ouvimos sua história. O missionário não é apenas um servo, mas um irmão; o próprio Cristo o chama de amigo. E em algum momento da vida ele vai precisar de alguém que o ajude como um irmão.

#2 Respeito ao descanso 

O Papa Francisco diz que a vida é missão, logo a missão não pára nunca. Mas as atividades apostólicas, reuniões, formações de líderes, visitas às comunidades, celebrações, catequese e até afazeres pessoais e domésticos precisam parar.

Para que o missionário tenha qualidade de vida é indispensável valorizar o repouso da mente e do corpo. A mente descansa quando ele pode compartilhar responsabilidades, contar com colaboradores, ou seja, não precisa fazer tudo sozinho (a), nem deve centralizar  atribuições.

Já o corpo tem qualidade de vida quando descansa. E isso não é apenas dormir, mas comer o suficiente e em horários adequados, como também uma alimentação que favoreça a reposição de energias para enfrentar os desafios do campo de missão.

#3 Esporte e lazer

Qualidade de vida está diretamente ligada à prática de esportes e ao lazer. À medida que o corpo se exercita, ocorre a liberação de hormônios que produz satisfação, bem-estar, elimina toxinas e libera a mente de pensamentos negativos e autodepreciativos.

Ou seja, o esporte produz qualidade de vida para todas as áreas da vida humana. Então, o missionário precisa de tempo para o esporte, como também incentivo para isso. É possível retardar problemas de saúde, aliviar o estresse e melhorar a qualidade do sono.

Já o lazer é fundamental para evitar o isolamento social e melhorar o humor. Facilmente o missionário pode absorver os problemas da vida pastoral ou comunitária e, com o tempo, esse acúmulo causa desânimo, irritação e doenças físicas e psíquicas.

O missionário é um irmão no caminho

Se colocarmos em prática essas dicas, contribuímos com a qualidade de vida do irmão (a) que dedica sua vida por amor a Jesus e aos irmãos. Claro que depende também da colaboração do próprio religioso, mas o que você pode fazer para ajudar?

Afinal, o missionário é nosso irmão, somos todos criaturas e filhos de Deus, com sonhos e frustrações, dotados de uma alma infinita e de um corpo limitado e fazemos parte da mesma família, a grande Igreja de Cristo.

Logo, é possível incentivar, colaborar e participar da promoção de qualidade de vida para os missionários religiosos, isso inclui sacerdotes, bispos, diáconos, freiras, irmãos, todos que doam suas vidas pela causa do Reino. 

Continue lendo: Ansiedade na vida religiosa: entenda – Copiosa Redenção

Existe depressão na vida religiosa?

A depressão na vida religiosa foi muitas vezes compreendida como “falta de fé”, mas isso não é verdade. Recentemente o Papa Francisco disse: “A tristeza, a apatia, o cansaço espiritual acabam dominando a vida das pessoas que estão sobrecarregadas com o ritmo de vida atual”. O Santo Padre demonstrou empatia e realismo ao afirmar que pessoas estão sobrecarregadas em meios aos desafios contemporâneos.

Por isso, preparamos este post para explicar melhor o que significa depressão e como ela pode afetar a vida de todas as pessoas, inclusive os religiosos(as). 

Depressão na vida religiosa? Mas quem é o religioso?

Deus chama toda pessoa humana à vida e à filiação. Esses são os primeiros dons recebidos da generosidade divina. E à medida que a pessoa cresce, ela descobre sua vocação específica, ou seja, a modalidade com a qual testemunhará o amor de Deus para a humanidade.

Embora as vocações específicas sejam bem conhecidas, como: sacerdócio, matrimônio, vida religiosa e o laicato, cada uma delas tem uma beleza e importância imensa para a Igreja e o povo de Deus. 

E, entre elas, existe o chamado à vida religiosa, que se concretiza com a profissão dos conselhos evangélicos e a vida em comunidade. Porém, o religioso(a) escolhido por Deus no meio do Seu povo, é uma pessoa normal, mas com um chamado especial.

E quem é a pessoa normal? A Doutrina Social da Igreja diz que a pessoa humana é criatura de Deus, criada à Sua imagem e semelhança; capaz de Deus e de se relacionar com o outro. Assim, toda pessoa é criatura e logo não é criador; limitado e não ilimitado. 

Parece óbvio, mas essa lucidez nos ajuda a entender o religioso, uma vez que ele continua criatura, limitada e amada pelo Criador, mesmo diante de uma vocação tão sublime. Ou seja, ele sofre, se diverte, cansa, chora, adoece, erra, cai, levanta e serve a todos. 

A depressão na vida religiosa e no mundo

Então, o que é depressão? A depressão é um transtorno psicológico que como características tristeza persistente e falta de interesse em realizar atividades que antes eram consideradas prazerosas.

Apesar da tristeza ser uma emoção normal, na depressão ela é tão forte e dura por tanto tempo, que afeta toda a vida da pessoa, impedindo até a realização de tarefas básicas fundamentais, como dormir ou comer.

Segundo a OMS, a depressão é um problema comum em todo o mundo: estima-se que mais de 300 milhões de pessoas sofram com ele. E qualquer indivíduo pode sofrer desse mal. Mas seja no mundo ou a depressão na vida religiosa, isso não é culpa de ninguém.

Uma vez que sua causa é formada por uma combinação de fatores genéticos, biológicos, ambientais e psicológicos. Então, ninguém pode determinar se sofrerá ou não de depressão, porque sua causa terá inúmeros motivos.

Leia também Qual a diferença entre cansaço e depressão?

Os santos tiveram depressão

É verdade que a vida religiosa é feita de oferta de si o tempo todo. E quem assiste de fora acha até que no convento não existe lazer, nem se tira férias. Esses pensamentos não ajudam na hora em que o religioso se sente atribulado ou até com sintomas de depressão.

Mas a depressão na vida religiosa não está ligada à fé, nem é possível determinar sua causa apenas olhando para a pessoa. A depressão na vida religiosa, assim como em qualquer ambiente da sociedade, sinaliza que algo não vai bem e precisa de investigação. 

Ora, de forma bem superficial, podemos comparar a depressão a uma febre. Quando estamos com uma infecção, a febre acusa logo, e se algo não vai bem na vida, a depressão se desenvolve e sinaliza que precisamos de ajuda.

Mas a depressão na vida religiosa não é sinal de fraqueza, mas de humanidade. Assim como Santa Teresinha sofreu desse mal e foi curada pelo sorriso de Nossa Senhora, o religioso tem a seu favor a graça divina e o acompanhamento dos irmãos. 

E agora, o que fazer?

Agora, se alguém nos perguntar se existe depressão na vida religiosa, após essas informações, podemos responder com outra pergunta: existem pessoas normais na vida religiosa?

Porque não existe vacina contra a humanidade, ao contrário. O Evangelho nos ensina que o homem é limitado e candidato à salvação, e quanto mais reconhecemos nossa pequenez, mais nos aproximamos de Deus, de nós mesmos e do outro.

Portanto, vamos acolher nossa fragilidade com humildade, e olhar para o outro que sofre com a depressão na vida religiosa, na família, no trabalho ou na clínica com olhar humano, com o olhar de Cristo.

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