Nossa vida interior

Hoje queremos falar, comentar nesta comunicação convosco sobre um valor extraordinário: a vida interior. Queremos dizer da necessidade que temos de reconhecer todos os valores desta vida interior. Queremos saborear um novo conhecimento e discernimento do que seja a vida interior.

Temos nestes tempos percebido o desgaste que traz o ativismo em que vivemos, que mata toda a possibilidade de vida interior. Quando nós cortamos ou cerramos uma árvore que secou, percebemos que ela não tem mais vida que corre dentro do seu centro vital. Assim também conosco, se pudéssemos muitas vezes olhar para nós mesmos perceberíamos que as vezes estamos nos secando por dentro.

O Senhor nos fala claramente que Ele veio trazer uma fonte que jorra plenitude de vida. O Senhor veio falar tantas vezes da necessidade que temos de parar para poder saborear a presença amorosa de Deus. Não falou tanto em palavras, mas muito falou com seus gestos.

Quantas vezes o Senhor depois do trabalho do pastoreio sentiu a necessidade de recolher-se. O Senhor vem hoje nos chamar para esta experiência. Experiência da vida interior, experiência que nos convida a um reabastecimento.

Meus prezados membros: a grande preocupação que vem do nosso coração é a preocupação de que todas as pessoas possam saborear plenamente o amor de Deus na dimensão mais interior de suas vidas. Esta dimensão do amor de Deus é uma dimensão tão essencial, faz com que em profundidade se cresça naquela experiência de uma opção consciente, de uma opção clara, de uma opção por Jesus Cristo, onde não há dúvida que não possa ser solucionada, onde não há morte que não possa se tornar Páscoa, onde não há desespero que não possa se tornar esperança, onde não há desamor que não possa tornar-se amor, onde enfim, há uma infinidade de realidades que transformadas podem nos dar um sentido de vida. Aliás a vida interior, percebida, nada mais é do que uma consciência profunda da busca do sentido de ser.

Muitas vezes o fazer, o correr, o ativismo desenfreado, pode estar entrando em nossas vidas, nas comunidades da Copiosa Redenção, entrando em forma de zelo, em forma de um ativismo que aparentemente se torna necessário.

(Trecho da carta escrita em 23 de maio de 1994)